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Com mercado aquecido, pecuária de corte projeta ciclo positivo até 2029

Na 4ª Agrofeira IBC, em Chã Preta, criadores destacam a competitividade do Brasil no setor, e pecuaristas alagoanos apontam otimismo no Estado

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Especialista aponta que pecuária de corte vive bom momento, com expectativa de manter cenário positivo até 2029
Especialista aponta que pecuária de corte vive bom momento, com expectativa de manter cenário positivo até 2029

A 4ª Agrofeira IBC, realizada na Fazenda Recanto, em Chã Preta, promovida pelos irmãos Celso, Aloísio e Ricardo Barros Correia, consolidou-se como ponto de encontro estratégico para o agronegócio. No evento, entre outras atividades, criadores tiveram a oportunidade de acompanhar as atualizações do mercado e as perspectivas para o futuro da pecuária de corte. Nesse cenário, a médica-veterinária e economista Lygia Pimentel, reconhecida pela Forbes como uma das mulheres mais influentes do agronegócio brasileiro, apresentou uma das palestras mais concorridas do evento, “Perspectivas para o mercado pecuário”, destacando a expectativa de um cenário promissor para o setor até 2029.

“Temos ciclos da pecuária; fases em que o boi precisa se valorizar acima do custo e da variação da inflação para compensar os anos que o produtor passou abaixo. Então, precisamos ser conservadores na hora da alta, fazer bons negócios e montar um bom caixa, para que possamos sobreviver com folga na fase difícil. No geral, as pessoas acabam se empolgando na alta, carregam o custo baixo e de repente o preço aumenta e parece que ocorreu um milagre no caixa. Mas quando o criador vende e repõe, a reposição foi de quadriciclo e o preço do boi a cavalo, ficou para trás. Então, o criador acaba repondo num risco operacional maior e o custo se eleva”, alertou Lygia Pimentel.

De acordo com a especialista, nesse processo, o pecuarista deve olhar menos para o preço e mais para a margem.

“Mas é algo difícil. Afinal fazer gestão de custo na pecuária é complexo. O grande segredo é ter parcimônia e aproveitar bem essa pernada de alta que está para chegar. Já na segunda é fazer as coisas com um pouco mais de cautela e montar um bom caixa para sobreviver no período ruim que vai voltar. É cíclico. É importante saber identificar quando a coisa está começando a ficar perigosa. O mercado, hoje, no Brasil, está com um desafio enorme de consumo doméstico e com endividamento altíssimo, além de políticas fiscais que quebraram as nossas contas internas e que geraram inflação. A gente precisa surfar esse cenário mais complexo, olhando para o consumidor”, observou.

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Nesse contexto, Lygia Pimentel ressaltou que o Brasil é o país mais competitivo do mundo. “A gente é historicamente, em média, 14% mais barato que a média global dos principais exportadores. Então, o Brasil é um país propício para a pecuária e com muito potencial. Vai continuar sendo expoente e tem que aproveitar essas oportunidades”, avaliou.

No que se refere à pecuária regional, Lygia Pimentel destacou que o Nordeste é a nova fronteira do setor.

“Tem o desafio maior de custo por questões de biomas, gerando algumas dificuldades para ter um custo tão viável ou tão competitivo quanto o do Centro-Oeste, por exemplo. Contudo, têm as questões logísticas que, mesmo tendo um custo mais alto, quando a gente tem desenvolvimento econômico, o abastecimento local tem que ser com animais locais. Acredito que o Nordeste é uma fronteira para as pessoas migrarem e toparem o desafio que existe nele. Há muita oportunidade de crescimento principalmente em conjunto com o aumento do mercado consumidor local – que traz uma oportunidade gigantesca para que o pecuarista prospere aqui – e se torne possivelmente exportador também”, declarou.

Presente na Agrofeira IBC, o pecuarista alagoano Antônio Brandão apontou a dificuldade de prever os movimentos do mercado e a importância de avaliações técnicas baseadas em dados para o desenvolvimento da pecuária.

“É importante ter essa avaliação de que o mercado bovino deve se manter promissor até 2029. Já está faltando bezerro e já subiu muito a reposição. E o próximo passo vai ser a subida do boi gordo. Em três escalas de análise apresentadas na palestra, a avaliação pessimista de Lygia Pimentel foi a arroba do boi a R$ 449. Para mim, isso já representa uma grande previsão. Se isso ocorrer, a pecuária dará um impulso muito grande. Já somos o maior produtor e exportador de carne do mundo. Se esse cenário acontecer, será um incentivo a mais para o pecuarista aumentar tecnologias e a produtividade”, disse Brandão.

ALAGOAS

De acordo com o pecuarista, atualmente, o mercado do boi está aquecido em Alagoas.

“A escala de abate está curta. Os frigoríficos aumentaram as plantas. Quanto mais ampliam a capacidade instalada, mais bovinos são necessários. E a reação da bovinocultura não é lenta; responde rápido. Os produtores, tendo incentivos, rapidamente aumentam a produtividade, fazendo com que as plantas tenham o insumo delas que é o boi gordo, a novilha gorda”, frisou.

Brandão reforçou ainda que a pecuária em Alagoas também segue se expandindo no Sertão do Estado. “Está entrando gente até de fora de Alagoas, empregando muita tecnologia, tendo confinamento de até seis mil bois. Isso era inimaginável há seis anos. Esse cenário mostra como está a evolução da pecuária alagoana e nordestina”, completou.

Para o pecuarista, o setor da pecuária de corte só tem condições de crescer em função dos frigoríficos.

“Se não fosse por eles, como a gente aumentaria a produção? Iria vender para quem? Um está atrelado a outro. Temos compradores também regionais na Paraíba e Sergipe, por exemplo. A gente só consegue crescer com esses frigoríficos que estão chegando ao Estado. A pecuária de Alagoas está em um momento de pujança com crescimento tanto em produção quanto em tecnologia”, afirmou.

Ele advertiu ainda os criadores que têm vacas para a necessidade de manter os animais capazes de sustentar a mudança de cultura dentro da pecuária. “Se antes se abatia um animal com quatro anos, agora são dois. Se passa menos tempo no pasto, precisa de mais bezerros. Então, terá um aumento de produção de bezerros para atender à demanda”, alertou.

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