Tecnologia
Agricultura regenerativa recupera o solo desgastado pelo uso contínuo de lavouras
Para promover uma agricultura regenerativa, além de utilizar folhas, palhas e o que sobrou das plantas como adubo, é feito o uso do processo de multiplicação de bactérias e fungos, reduzindo ao mínimo
O uso de novas tecnologias voltadas ao aumento da produtividade no campo é um processo constante no agronegócio. Nesse sentido, um solo saudável e com as devidas fontes de nutrientes para as plantas é essencial para a conquista de bons resultados. Foi com esse propósito que a técnica conhecida como agricultura regenerativa vem apresentando resultados positivos, reforçando a importância da sustentabilidade para o setor agropecuário e reduzindo o uso de produtos químicos.
Na Fruticultura Bom Sucesso, localizada no município de Coruripe, no litoral sul de Alagoas, o produtor rural Carlos Lima, que há 40 anos trabalha com o cultivo de frutas, como mamão e banana, aposta no uso de ferramentas capazes de ampliar a produção, transformando a nutrição das plantas por meio da agricultura regenerativa.
“É uma nova maneira de se pensar a agricultura, com menos defensivos e com uma quantidade muito menor de adubo. Afinal, a gente não pode migrar de uma maneira abrupta. Mas, pouco a pouco, vamos mudando e vendo que os resultados são positivos. É importante lembrar que o foco da agricultura regenerativa é devolver a vida ao solo por meio dos microrganismos. Essa prática prevê a diminuição ou quase extinção do uso de adubos solúveis. Com a aplicação da técnica, o produtor passa a ter um equilíbrio maior, reduz os gastos, registra menos doenças e obtém produtividades muito semelhantes”, destacou Lima.
Para promover uma agricultura regenerativa, além de utilizar folhas, palhas e o que sobrou das plantas como adubo, o produtor faz uso do processo de multiplicação de bactérias e fungos, reduzindo ao mínimo a utilização de produtos químicos no solo.
“Com a adoção dessa nova maneira de fazer agricultura, percebemos uma diferença na sanidade das plantas. Usamos pouquíssimos defensivos químicos e fungicidas. No caso da banana, é uma plantação que se autoalimenta. Mais de 90% dela retorna para o solo por meio do pseudocaule, que se transforma em matéria orgânica, além das folhas e de outros resíduos. O mamão deixa menos matéria orgânica e também não consegue formar um microclima propício para esse tipo de agricultura. No bananal há pouca insolação, o que é um ponto muito positivo para os microrganismos”, esclareceu Lima.
“Hoje, conseguimos trabalhar com mais de 13 tipos de microrganismos, e cada um deles tem sua função dentro da área cultivada. Alguns são utilizados no controle de nematoides; outros, no combate a patógenos, tanto no solo quanto na parte aérea das plantas, como folhas e frutos; enquanto determinadas bactérias atuam na liberação de nutrientes, como o fósforo. Nesse tipo de manejo, os processos naturais ajudam ainda mais, promovendo o equilíbrio do solo”, ressaltou o engenheiro agrônomo Ítalo Carvalho.
Na área de plantio do mamão é utilizada uma planta de cobertura chamada mucuna-preta, que, além de adubar o solo, mantém o ambiente mais ameno durante os períodos mais quentes e melhora as condições biológicas do solo.
“Ela cobre o solo, e suas raízes também ajudam nesse processo de interação entre os agentes biológicos e a cultura de cobertura”, explicou Lima.
Mucuna-PRETA
Segundo Ítalo Carvalho, a mucuna é utilizada no manejo da cultura e faz parte de alguns dos coquetéis de cobertura.
“A gente planta a mucuna em determinada área onde o mamoeiro, por exemplo, já está chegando à fase final do ciclo. Nessa etapa, as plantas não concorrem entre si, permitindo o cultivo consorciado. Com isso, ela cobre o solo e, quando o mamão é retirado, essa cobertura vegetal permanece atuando da mesma forma que um coquetel de cobertura, gerando matéria orgânica com as folhas depositadas sobre o solo, promovendo a descompactação e abafando as ervas daninhas. Assim, conseguimos minimizar drasticamente o uso de herbicidas”, reforçou, destacando que a planta apresenta elevado crescimento dos ramos e também atua de forma eficiente no combate às doenças do solo.
De acordo com o produtor Carlos Lima, os investimentos na recuperação do solo e na adoção de novas tecnologias permitem uma produção semanal de cerca de três mil caixas de banana e mamão, além de macaxeira, cultivadas em uma área superior a 100 hectares.
“Fazer a diversificação dos cultivos proporciona ao produtor um fluxo de caixa mais regular e também uma oferta mais constante ao mercado, trazendo melhores condições econômicas para a propriedade”, destacou.