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Gestão

Ronaldo Targino assume a Emater com desafio de levar a Ater ao campo

Novo presidente quer ampliar o atendimento aos agricultores familiares e criar uma rede de assistência técnica em Alagoas

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Targino assumiu a presidência da Emater-AL no dia 17 de junho, depois de passar pela Secretaria Executiva da Agricultura Familiar da Seagri
Targino assumiu a presidência da Emater-AL no dia 17 de junho, depois de passar pela Secretaria Executiva da Agricultura Familiar da Seagri | Foto: Divulgação

A chegada de Ronaldo Targino à presidência da Emater-AL abre uma nova expectativa para a agricultura familiar no Estado. O órgão, que tem papel decisivo na assistência técnica e na extensão rural, já teve maior estrutura e presença mais forte nos municípios. Nos últimos anos, passou a enfrentar limitações de pessoal e dificuldades para cumprir plenamente sua missão.

É nesse cenário que Targino assume o comando da instituição, depois de passar pela Secretaria Executiva da Agricultura Familiar da Seagri. Ali, conseguiu dar mais visibilidade e dinamismo a uma área que também tinha uma atuação limitada.

Na secretaria, Targino esteve à frente de ações como o Agricultura Familiar em Movimento, participou da articulação para o fortalecimento de programas como o do Leite e ajudou a impulsionar as feiras da agricultura familiar.

O desafio agora é maior: reorganizar a Emater para que a assistência técnica chegue de forma mais regular, eficiente e qualificada às famílias do campo.

O tamanho do desafio

A agricultura familiar é a base social, econômica e produtiva do meio rural em Alagoas. Segundo dados do Censo Agropecuário de 2017, o Estado tem 98.542 estabelecimentos agropecuários. Desse total, 82.369 são da agricultura familiar, o equivalente a cerca de 83,6% dos estabelecimentos rurais alagoanos.

São agricultores que produzem alimentos, movimentam feiras, abastecem programas públicos, sustentam comunidades rurais e ajudam a manter renda em municípios onde a economia gira, em grande parte, em torno do campo.

Mas a produção familiar, sem assistência técnica, tende a enfrentar mais dificuldades para acessar crédito, organizar a propriedade, melhorar a produtividade, ingressar em programas de compras públicas, fazer a regularização cadastral e agregar valor à produção.

É aí que entra a Emater

O órgão presta assistência a agricultores em todo o Estado e conta hoje com aproximadamente 140 técnicos. O número foi ampliado na gestão do governador Paulo Dantas, mas ainda é insuficiente diante da demanda. Em 2023, dados do próprio governo apontavam mais de 35 mil agricultores atendidos pela Emater em Alagoas, distribuídos em 83 municípios. Na prática, isso significa que a Emater precisa ganhar escala.

A proposta de Targino

Em entrevista ao programa Alagoas Rural, Ronaldo Targino disse que pretende manter o mesmo ritmo adotado na Secretaria Executiva da Agricultura Familiar.

“A gente segue na mesma linha de trabalho, mas agora com essa responsabilidade da Emater”, afirmou.

Ele considera a assistência técnica e a extensão rural como eixos do desenvolvimento da agricultura familiar e defende a criação de uma rede de Ater nos territórios, reunindo a estrutura pública da Emater e instituições que já atuam com assistência técnica, como cooperativas, associações e outras entidades.

A ideia é mapear o que já existe em cada território, evitar a sobreposição de ações, reduzir a sobrecarga das equipes da Emater e organizar melhor o atendimento às famílias.

“O grande desafio hoje na Ater pública é primeiro mapear o que já está sendo feito nos territórios. Muitas vezes, o Estado desconhece ou fica sobrecarregado em alguns lugares”, disse Targino.

A proposta é simples na formulação, mas complexa na execução: ampliar a atuação sem perder qualidade.

Mais presença no interior

A nova gestão também pretende aproveitar oportunidades abertas por programas federais e regionais. Uma das apostas é fortalecer a rede de Ater nos territórios, em sintonia com estratégias como o PAS Nordeste, que prevê a ampliação da cobertura de assistência técnica aos agricultores familiares.

Em Alagoas, o programa deve contemplar 72 municípios, alcançando cerca de 70% das cidades do Estado. A meta regional é ambiciosa: consolidar redes territoriais de Ater, ampliar a presença de técnicos e integrar políticas de produção, comercialização e segurança alimentar.

Esse desenho pode ajudar a Emater a sair de uma lógica mais reativa, em que o órgão tenta atender demandas pontuais, para um modelo mais organizado, territorial e permanente.

O agricultor familiar precisa de documentação, crédito, tecnologia, orientação produtiva, acesso ao mercado e acompanhamento técnico. Uma coisa não substitui a outra.

A Emater, quando funciona bem, ajuda a ligar todas essas pontas.

O teste da gestão

A experiência de Ronaldo Targino na Secretaria Executiva da Agricultura Familiar pode ser um ativo importante. Ele conhece programas, movimentos sociais, cooperativas, lideranças rurais e a burocracia do governo. Também demonstrou capacidade de dar visibilidade a uma pauta que, por muito tempo, ficou escondida atrás de setores mais fortes politicamente no agro alagoano.

Mas a Emater exige mais do que articulação. Exige gestão de equipes, planejamento territorial, presença nos municípios, metas claras e capacidade de fazer o técnico chegar ao produtor. Não apenas em eventos, feiras ou ações de cidadania, mas no acompanhamento cotidiano da propriedade, onde a agricultura familiar decide se avança ou continua travada.

A posse de Targino, portanto, não resolve o problema. Abre uma possibilidade. Se conseguir transformar a Emater em uma rede mais integrada, menos sobrecarregada e mais próxima das famílias do campo, o novo presidente pode dar ao órgão um papel mais compatível com a importância da agricultura familiar em Alagoas. E essa é uma agenda que interessa ao produtor, ao consumidor e ao Estado.

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