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Investimento

Irrigação por gotejamento se torna aliada no aumento da produtividade do canavial

Sistema tem nível de eficiência na condução de água que chega a quase 100%; em outras técnicas, como pivô e aspersão, o índice é menor

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Técnica leva água e nutrientes à cana na medida certa e se tornou uma estratégia para produtores
Técnica leva água e nutrientes à cana na medida certa e se tornou uma estratégia para produtores | Foto: BCCOM ASSESSORIA
Imagem ilustrativa da imagem Irrigação por gotejamento se torna aliada no aumento da produtividade do canavial
| Foto: BCCOM ASSESSORIA
Imagem ilustrativa da imagem Irrigação por gotejamento se torna aliada no aumento da produtividade do canavial
| Foto: BCCOM ASSESSORIA

Localizada em uma região com índices pluviométricos inferiores aos de outras áreas canavieiras de Alagoas, a usina Marituba tem investido na irrigação como ferramenta essencial para o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar. Entre as tecnologias adotadas, o sistema de gotejamento, aliado à fertirrigação, vem se destacando pelos resultados positivos na produtividade.

“Sem irrigação, seria impossível a usina ter viabilidade. Há 30 anos, foi elaborado um plano diretor que previa a construção de uma barragem para abastecer todo o perímetro irrigado da empresa. Hoje, conseguimos atender cerca de 80% da área cultivada de cana com irrigação”, afirmou o diretor Mário Sérgio.

Segundo ele, a região da Marituba registra, em média, cerca de 500 milímetros a menos de chuva em comparação com outras unidades do mesmo grupo, o que reforça a importância do uso eficiente da água.

Com a adoção da irrigação, a usina elevou significativamente sua produtividade. “Historicamente, a Marituba produzia cerca de 40 toneladas por hectare. Nesta safra, atingimos 70 toneladas. Em 2022, chegamos a 84 toneladas por hectare, uma das maiores produtividades do estado, resultado de um ano climático favorável aliado à irrigação”, destacou.

GOTEJAMENTO

A expansão do sistema de gotejamento é uma das prioridades da unidade. Atualmente presente em 70 hectares, a técnica deve alcançar 100 hectares em breve, com projeção de expansão para uma área entre 500 e 800 hectares.

Hoje, o pivô linear representa cerca de 60% do perímetro irrigado da usina, enquanto o restante utiliza o sistema de aspersão. Ao todo, a unidade possui aproximadamente 11 mil hectares, dos quais cerca de 8.800 hectares (80%) são irrigados.

“Nosso objetivo é maximizar o uso dos recursos hídricos. A água é limitada e precisa ser bem aproveitada. O gotejamento tem eficiência próxima de 100% na condução da água, enquanto o pivô chega a 80% e a aspersão a 70%. Com essa técnica, conseguimos otimizar o uso da água e elevar a produtividade do canavial”, explicou.

HISTÓRICO E RETOMADA

A usina foi pioneira na adoção do sistema, com a construção de uma estação de bombeamento ainda na década de 1990. Na época, técnicos visitaram projetos na Venezuela para conhecer a tecnologia, então considerada inovadora.

Apesar dos bons resultados iniciais, fatores como pragas e desafios produtivos levaram à interrupção do uso do gotejamento por parte de algumas usinas. A retomada na Marituba ocorreu nos últimos dois anos, agora com maior domínio técnico.

“Hoje entendemos melhor o conceito do gotejamento. Avançamos em variedades, nutrição e condução do sistema. Isso nos dá segurança para expandir essa tecnologia de forma consistente”, afirmou Mário Sérgio.

GANHOS DE PRODUTIVIDADE

Os resultados já demonstram o potencial da técnica. Em uma área irrigada por gotejamento, a usina registrou produtividade de 130 toneladas por hectare no primeiro corte e 150 toneladas no segundo.

Segundo o diretor, o desempenho está diretamente relacionado ao manejo nutricional. “No segundo corte, conseguimos aplicar a fertirrigação de forma completa ao longo do ciclo, o que proporcionou um salto significativo na produtividade”, explicou.

Ele destaca ainda que o diferencial do sistema está na possibilidade de fracionar a nutrição ao longo do ano. “Com o gotejamento, conseguimos programar a aplicação de nutrientes durante os 12 meses, de acordo com a necessidade da planta. Isso faz com que a cana responda melhor e produza mais”, afirmou.

“Não é apenas irrigação, é fertirrigação. Também é necessário utilizar variedades responsivas e integrar todos os fatores. Os resultados atuais são fruto de mais de 30 anos de estudo e aperfeiçoamento dessa tecnologia”, concluiu.

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