Moagem
Safra de cana chega ao fim em Alagoas com recorde de etanol na Porto Rico
Últimas unidades encerram moagem; setor projeta ciclo maior com retorno das chuvas
A safra de cana-de-açúcar 2025/2026 chegou ao fim em Alagoas. A última unidade em operação, a Usina Porto Rico, de Campo Alegre, encerrou a moagem no sábado (18/04), com recorde na produção de etanol. Os números oficiais do ciclo ainda estão sendo contabilizados pelo Sindaçúcar-AL.
Com base nos dados já consolidados até 31 de março — quando a moagem somava 17,6 milhões de toneladas — e no funcionamento residual de duas usinas em abril, a estimativa é de que a safra seja fechada em cerca de 17,8 milhões de toneladas, levemente acima dos 17,4 milhões de toneladas do ciclo 2024/2025.
O crescimento confirma a estabilidade da produção no estado, com mudança relevante no perfil industrial.
SAFRA MAIS ALCOOLEIRA
O avanço da moagem veio acompanhado de uma alteração no mix de produção. Alagoas, que tradicionalmente destina cerca de 70% da cana para açúcar, mudou o perfil neste ciclo: o açúcar caiu de 70,01% para 63,54%, enquanto o etanol subiu de 29,99% para 36,46%, considerando dados até 31 de março.
» Cana moída: ~17,8 milhões t (estimativa)
» Safra anterior: 17,4 milhões t
» Variação: leve alta
» Etanol: crescimento superior a 16%
» Açúcar: queda superior a 12%
Na prática, as usinas reduziram a produção de açúcar e ampliaram a fabricação de etanol, acompanhando a melhor remuneração do biocombustível no mercado interno.
Presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira resume o movimento: “Esta foi uma safra mais alcooleira do que açucareira. Menos açúcar e mais etanol por conta da conjuntura de mercado”.
Segundo ele, a opção seguiu a lógica econômica: “O etanol vende e recebe todo dia, tem preço melhor e fluxo de caixa praticamente imediato. Já o açúcar exige embarques maiores e prazo mais longo para pagamento”.
PRÓXIMA SAFRA
Com o encerramento da moagem, o setor volta agora o foco para o próximo ciclo. A expectativa é de crescimento, impulsionado pelo retorno das chuvas e pela manutenção dos investimentos no campo.
Pedro Robério resume o cenário: “Todo o setor está animado com as chuvas. A próxima safra deve ser maior”.
PORTO RICO ENCERRA CICLO
A Porto Rico foi a última usina a encerrar a moagem, no sábado, 18 de abril, às 20h. A unidade processou 1.900.237 toneladas de cana, além de destinar cerca de 65 mil toneladas para outra usina, em função do calendário operacional.
O resultado ficou em linha — e levemente acima — da safra anterior, quando a unidade havia moído cerca de 1,918 milhão de toneladas.
Diretor da usina, Carlos Monteiro, avalia o ciclo como positivo, apesar das adversidades climáticas. “Mesmo com as dificuldades climáticas, com seca intensa desde setembro até o início deste ano, conseguimos produtividade média de 76 toneladas por hectare. Isso só foi possível graças aos investimentos em irrigação”, afirma.
Segundo ele, o calendário da safra foi impactado por ajustes industriais. “Iniciamos a moagem no final de setembro, por conta de investimentos na indústria. Isso alongou a safra, mesmo com o envio de parte da cana para outra unidade”, explica.
Monteiro destaca ainda que o ideal seria encerrar a moagem até março, período anterior à intensificação das chuvas na região.
VIRADA PARA O ETANOL
A Porto Rico também seguiu a tendência do setor e alterou seu mix de produção, dividindo a cana processada de forma equilibrada entre açúcar e etanol. “Destinamos 50% para açúcar e 50% para etanol”, diz Monteiro.
Com isso, a unidade bateu recorde e se consolidou como a maior produtora de etanol de Alagoas e do Nordeste nesta safra, com pouco mais de 66 milhões de litros, superando inclusive a Coruripe (63,1 milhões de litros), maior usina da região.
Monteiro explica a decisão: “Viramos a chave para o etanol em função do mercado. Considerando o açúcar a 14 cents de dólar por libra-peso, o etanol hoje equivale a cerca de 17 cents. Com melhor remuneração, optamos por ampliar a produção de etanol”.
IRRIGAÇÃO E TECNOLOGIA
Outro destaque da unidade foi o avanço tecnológico no campo. Atualmente, cerca de 80% dos canaviais da Porto Rico contam com algum tipo de irrigação, incluindo pivôs e gotejamento.
O gerente agrícola, Luiz Eugênio, aponta que o investimento tem sido decisivo para manter a produtividade.
“Hoje priorizamos pivôs e gotejamento. No gotejamento, nossa média chega a 140 toneladas por hectare. Em áreas com vinhaça enriquecida, água residuária ou pivô, conseguimos produtividades de até 100 toneladas por hectare”, afirma.
Ele destaca também o uso de novas variedades: “Trabalhamos com diferentes materiais do tipo RB, buscando os mais responsivos para nossas condições. Temos alcançado resultados cada vez melhores”, pontua.