Legislativo municipal
Chico Filho e Samyr Malta medem forças pela presidência da Câmara
Lealdade, articulações no Sertão e posição ainda indefinida de Rodrigo Cunha pesam na disputa pela Mesa Diretora
A sucessão da Presidência da Câmara Municipal de Maceió começa a se concentrar em dois nomes: o atual presidente, Chico Filho (PSDB), que busca a reeleição, e o vereador Samyr Malta (Podemos). Os dois articulam apoios entre os 27 parlamentares para comandar a Mesa Diretora no biênio 2027-2028.
Nos bastidores, aliados afirmam que Samyr teria recebido do governador eleito JHC o compromisso de assumir a presidência da Casa. O entendimento estaria relacionado à participação do vereador na campanha estadual, especialmente na aproximação de lideranças importantes do Sertão com a candidatura tucana.
Entre os nomes citados estão o ex-prefeito de Canapi, Celso Luiz, e o deputado estadual eleito Tenorinho Malta. Samyr participou da construção dessas alianças e ajudou a ampliar a presença política de JHC em municípios sertanejos nos quais o grupo ainda buscava consolidar apoio.
O eventual compromisso, porém, ainda não foi confirmado publicamente por JHC. Enquanto aguarda uma definição, Samyr conversa diretamente com os vereadores e tenta formar uma maioria capaz de sustentar sua candidatura.
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VOTAÇÃO E LEALDADE
Chico Filho, por sua vez, já confirmou que pretende continuar no comando da Câmara. Um dos argumentos apresentados por seus aliados é a fidelidade demonstrada ao grupo político de JHC durante as eleições deste ano.
O vereador foi um dos primeiros integrantes da Câmara a deixar o PL e migrar para o PSDB durante a crise entre as duas legendas. Na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, recebeu 34.871 votos, dos quais 26.684 foram conquistados em Maceió. Apesar de não ter sido eleito, o resultado é utilizado por seus apoiadores como demonstração de força eleitoral na capital.
A votação de Chico passou a pesar nas articulações internas e reforçou seu argumento pela permanência na Presidência. Ele também conta com a posição institucional de já comandar a Casa e com relações construídas durante a atual gestão da Mesa Diretora.
EXPECTATIVA
DE MUDANÇAS
Apesar da candidatura à reeleição, há entre vereadores a expectativa de mudanças na composição da Mesa. Parlamentares relatam, reservadamente, que algumas demandas internas não estariam sendo atendidas pela atual estrutura de comando.
Esse sentimento abre espaço para a candidatura de Samyr, que procura apresentar uma composição alternativa sem romper com o grupo governista. O vereador também preside a Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira e participou da análise de matérias relevantes para o Executivo municipal.
CUNHA É PEÇA-CHAVE
A principal incerteza é a posição do prefeito Rodrigo Cunha (Podemos). Até o momento, ele não demonstrou publicamente como pretende se comportar na disputa nem se trabalhará pela reeleição de Chico, pela candidatura de Samyr ou por uma composição entre os dois.
Como Chico Filho e Samyr Malta integram a base governista, aliados esperam que uma reunião com o prefeito possa produzir um consenso e evitar uma divisão. Rodrigo ainda não teria se reunido com os dois vereadores para tratar definitivamente da nova Mesa.
Também não está definido se JHC participará diretamente da escolha. A eleição anterior da Mesa contou com forte influência do então prefeito, mas sua chegada ao Governo de Alagoas cria uma nova distribuição de forças entre o Palácio República dos Palmares, a Prefeitura de Maceió e a Câmara Municipal.
SEM CONFRONTO ABERTO
Apesar das movimentações, aliados asseguram que ainda não existe clima de confronto entre Chico e Samyr. Os dois permanecem no mesmo campo político e buscam apoio dos colegas enquanto aguardam uma sinalização das principais lideranças do grupo.
A tendência é que a definição passe pela capacidade de cada candidato reunir votos dentro da Casa, pelo posicionamento de Rodrigo Cunha e pelo peso que JHC decidirá exercer na sucessão.
Até que essa conversa ocorra, Chico Filho aposta na votação obtida nas eleições, na posição de atual presidente e na fidelidade ao grupo. Samyr Malta apresenta como credenciais a articulação feita no Sertão, a proximidade com JHC e um possível compromisso político firmado durante a campanha.