Candidato a vice
Sem mandato a partir de 2027, Alfredo terá de definir novo espaço político
Eventual retorno à área de Segurança Pública e atuação em outros estados estão entre caminhos possíveis
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026 colocou uma interrogação sobre o futuro político do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Escolhido para ser candidato a vice-presidente da República, o parlamentar alagoano apostou em um projeto nacional, abriu mão de disputar uma das duas vagas ao Senado por Alagoas e ganhou projeção fora do estado, principalmente pela atuação como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Agora, com o resultado das urnas, terá de definir qual espaço pretende ocupar a partir de 2027.
O primeiro dado que pesa nessa equação é que Alfredo Gaspar não tem mandato eletivo assegurado para a próxima legislatura. Ele permanece na Câmara dos Deputados até 31 de janeiro de 2027. A derrota da chapa, portanto, muda o cenário de quem chegou a ser apontado como um dos nomes mais fortes da disputa pelo Senado em Alagoas.
A mudança de planos ocorreu em agosto, quando Alfredo teve sua candidatura ao Senado oficializada durante a convenção estadual do PL. Na ocasião, a disputa pelas duas vagas era tratada nos bastidores como um caminho bastante favorável ao deputado, que vinha acumulando visibilidade política e eleitoral. Entretanto, foi anunciado por Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente na chapa do PL. A decisão representou uma mudança completa de estratégia: em vez de disputar uma eleição estadual, Alfredo passou a integrar um projeto nacional.
A escolha teve relação direta com a projeção que o parlamentar conquistou em Brasília como relator da CPMI do INSS. Durante os trabalhos, esteve à frente das investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, conduzindo depoimentos, requerimentos e a elaboração de um relatório com milhares de páginas.
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A trajetória de Alfredo também ajuda a explicar por que seu nome passou a ser considerado para diferentes funções. Antes de chegar à Câmara, construiu carreira no Ministério Público de Alagoas, onde atuou como promotor de Justiça por mais de duas décadas e foi procurador-geral de Justiça por dois mandatos. Também ocupou a Secretaria de Segurança Pública durante o governo de Renan Filho (MDB), experiência que o manteve associado ao debate sobre combate à criminalidade e políticas de segurança.
CAMINHOS
Um dos caminhos possíveis é assumir protagonismo na reorganização da direita em Alagoas. Mesmo com a derrota presidencial, o PL reúne lideranças com atuação no estado, como o deputado estadual Cabo Bebeto, o deputado federal Delegado Fábio Costa e o vereador Leonardo Dias. Alfredo, pela experiência parlamentar, pela passagem pela CPMI e pela participação em uma chapa presidencial, chega a 2027 com projeção nacional. Poderá atuar como articulador desse campo político, embora precise administrar as diferentes lideranças e interesses internos da legenda.
A segunda possibilidade passa por uma eventual participação no governo de JHC. Embora o PL tenha integrado a composição política que elegeu o tucano para o Governo de Alagoas, Alfredo e JHC estiveram em campos distintos durante a campanha presidencial. A candidatura de Flávio teve agenda própria no estado, sem a participação de JHC e de Arthur Lira nos movimentos eleitorais de Alfredo. Essa distância política, porém, não significa necessariamente um rompimento definitivo. Uma aproximação poderá abrir espaço para Alfredo em uma eventual composição administrativa, especialmente na área de Segurança Pública, setor no qual já tem experiência.
A eventual reaproximação, porém, não deverá ser automática. Alfredo Gaspar não manteve diálogo político com JHC nem com Arthur Lira durante a campanha eleitoral, em razão da postura que adotou ao assumir a candidatura a vice-presidente.
Outra hipótese, ainda no campo da especulação, seria uma atuação fora de Alagoas. A visibilidade nacional conquistada pelo deputado poderá facilitar sua aproximação com governos estaduais de direita. Uma eventual participação em alguma dessas administrações, entretanto, dependeria de convites e articulações que ainda não foram anunciados.