Eleições municipais
Maceió e Arapiraca começam a desenhar disputa eleitoral de 2028
Reeleição de Cunha, possível candidatura independente do PL e aposta do PT movimentam a capital
Embora ainda faltem dois anos para as eleições municipais, o resultado das urnas em 2026 já movimenta os bastidores políticos em Maceió e Arapiraca. Grupos começam a organizar estratégias e avaliar nomes para a disputa pelas prefeituras em 2028. Na capital, o quadro passa pela provável tentativa de reeleição de Rodrigo Cunha (Podemos), pela posição que o PL adotará e pela intenção do PT de lançar candidatura própria. Em Arapiraca, a sucessão de Luciano Barbosa (MDB), após dois mandatos, coloca em evidência aliados como Yale Fernandes (MDB) e Ricardo Nezinho (MDB).
Em Maceió, Rodrigo Cunha tem o caminho naturalmente associado à busca por permanecer no comando da Prefeitura. Ele assumiu o cargo em abril deste ano, depois que JHC deixou a administração para disputar o Governo de Alagoas, eleição que terminou com a vitória do tucano. A chegada de Rodrigo ao posto foi resultado de um acordo político firmado ainda em 2024, quando o então senador deixou o mandato para ser vice-prefeito de JHC. Com a saída, a vaga no Senado passou a ser ocupada por sua primeira suplente, Eudócia Caldas, mãe do governador eleito.
Agora, Rodrigo terá pouco mais de dois anos para construir uma identidade própria à frente da administração. A estratégia deverá combinar a continuidade dos projetos implantados por JHC com novas iniciativas que permitam ao prefeito imprimir sua marca. Também será necessário estreitar relações com vereadores e lideranças políticas. Outro fator importante será o desempenho de JHC no Governo do Estado: uma gestão bem avaliada poderá funcionar como um ativo eleitoral para o projeto de reeleição do atual prefeito.
Um dos pontos de interrogação nesse cenário é o PL. Embora integre a base de Rodrigo na Câmara Municipal e tenha participado da coligação que elegeu JHC governador, o partido poderá optar por um caminho independente em 2028. A legenda tem nomes com potencial para uma candidatura própria, como o deputado federal Alfredo Gaspar, o deputado estadual Cabo Bebeto e o vereador Leonardo Dias. O movimento poderá explorar a força do eleitorado bolsonarista na capital, onde candidatos de direita vêm conquistando resultados significativos.
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O PT também quer aproveitar o resultado das eleições de 2026 para ampliar sua presença em Maceió. Apesar do histórico de dificuldades nos pleitos municipais, a legenda aposta na votação expressiva de Lula para tentar construir um projeto competitivo. Entre os nomes que podem entrar na discussão estão a vereadora Teca Nelma, eleita deputada estadual com mais de 44 mil votos, e o deputado estadual Ronaldo Medeiros, reeleito com mais de 38 mil votos e presidente do PT em Alagoas. Medeiros já confirmou que o partido terá candidato próprio e anunciou a realização de seminários e debates sobre transporte, saúde, educação e mercado de trabalho antes da escolha do representante. A ideia é ouvir a sociedade e construir uma candidatura a partir das demandas da cidade.
Em Arapiraca, a disputa começa a se desenhar em torno da sucessão de Luciano Barbosa, que não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo. O prefeito terá tempo para organizar seu grupo político e definir quem terá condições de dar continuidade ao projeto administrativo. Um dos nomes mais próximos é o de Yale Fernandes (MDB), considerado braço direito de Luciano e apontado como uma das principais opções do grupo. A relação de confiança entre os dois e a participação de Yale na administração municipal o colocam em posição estratégica na corrida sucessória.
Mas o panorama não está livre de concorrência. O deputado estadual Ricardo Nezinho (MDB), que já teve uma relação política muito próxima de Luciano, também aparece como possível interessado na Prefeitura. A eleição de 2026 acrescentou novos elementos à disputa: Nezinho foi reeleito e obteve votação robusta em Arapiraca, demonstrando força eleitoral própria. O vínculo entre os grupos, entretanto, passou por divergências nas articulações municipais de 2024, especialmente em torno da composição da chapa que reelegeu Luciano.
Um fator que poderá influenciar os planos de Nezinho é a possibilidade de assumir a Presidência da Assembleia Legislativa a partir de 2027, em uma articulação que já ganhou força nos bastidores. O comando da Casa dará ao deputado projeção estadual e poder de articulação política, mas também poderá funcionar como um elemento de acomodação de suas pretensões eleitorais em Arapiraca. Caso opte por priorizar a função no Legislativo, o parlamentar poderá trabalhar outra alternativa dentro do próprio grupo familiar.
Nesse contexto, o nome de Rute Nezinho (PSD), atual vice-prefeita de Arapiraca, pode ganhar espaço. Ela recebeu 28.875 votos na disputa por uma vaga de deputada federal em 2026, mas não conseguiu se eleger. Uma eventual candidatura à Prefeitura seria uma alternativa para manter o grupo de Ricardo Nezinho na competição direta pelo controle do município, caso o deputado não entre pessoalmente na corrida.