Reta final
Debate entre Lula e Flávio é marcado por troca de acusações
Candidatos discutiram temas como dívidas dos brasileiros, gastos públicos, salário mínimo, saneamento e SUS
Propostas para a economia, segurança pública e políticas sociais dividiram o último debate entre o Presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite dessa sexta-feira (23), na TV Globo. A discussão foi marcada por troca de acusações, ofensas, promessas de campanha e divergências sobre os rumos do País antes da votação deste domingo (25).
Na infraestrutura, Flávio citou um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que, segundo ele, aponta mais de 11,5 mil obras paralisadas no atual governo. Lula afirmou ter herdado 6 mil obras nessa situação e defendeu os investimentos de sua gestão. O senador prometeu ampliar a malha ferroviária e concluir a Transnordestina, enquanto o Presidente citou projetos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste e a BR-319.
SALÁRIO E DÍVIDAS
A política econômica também provocou divergências. Flávio responsabilizou o governo pelos juros elevados, pelo endividamento e pela perda de poder de compra. Prometeu reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação, além de renegociar dívidas com suspensão temporária dos pagamentos. Lula defendeu a política de valorização salarial de seus governos e afirmou que pretende ampliar a renegociação de débitos.
Vídeo mostra ex-funcionários espancando gata em Maceió
Veja como foi o ato de apoio a Flávio Bolsonaro em Maceió nesta quinta-feira
Mais de 2,4 milhões de eleitores de Alagoas estão aptos a votar no segundo turno
Lula aposta no legado social, enquanto Flávio explora o desejo de mudança
Célia Rocha mostra disposição no Bloco do 22 e reforça apoio a Flávio e Alfredo
Os dois disputaram ainda o discurso em defesa do agronegócio. Lula afirmou que o País ampliou mercados internacionais e exportações, enquanto Flávio criticou os juros e a burocracia para obter financiamento rural.
SANEAMENTO
No saneamento básico, Flávio defendeu o marco legal aprovado durante o governo Jair Bolsonaro e questionou a posição do PT sobre a medida. Lula rebateu com críticas à gestão ambiental do antecessor e destacou investimentos em obras e serviços no Norte e no Nordeste.
A saúde pública foi outro ponto de confronto. Lula questionou como Flávio pretende melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante de sua promessa de cortar gastos. O senador criticou as filas para consultas e cirurgias e a falta de medicamentos, mas afirmou que manterá investimentos no sistema. Lula também voltou a atacar a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Bolsonaro.
ENSINO INTEGRAL
Na educação, Flávio acusou o governo federal de reduzir recursos para o ensino integral. Lula prometeu universalizar esse modelo de ensino e ampliar o programa Pé-de-Meia, inclusive para universitários. O senador afirmou que manterá o programa se eleito e defendeu vale-creche, cursos de tecnologia e parcerias entre redes públicas e privadas.
POLÍTICAS SOCIAIS
As políticas sociais renderam outro embate. Lula questionou o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade para 180 dias, quando o senador era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio reconheceu que estava errado e disse que hoje compreende melhor a importância do período de afastamento para as mães. O presidente também criticou o uso da expressão “bolsa farelo” pelo adversário em referência ao Bolsa Família.
Na segurança pública, Flávio defendeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas, endurecer penas, reduzir a maioridade penal e estabelecer trabalho obrigatório nos presídios. Lula defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e a criação de um ministério específico para a área.
O tema foi marcado por uma discussão sobre a morte de uma menina de cinco anos atingida por um tiro de fuzil. Lula questionou a atuação de Flávio como advogado do policial acusado pelo disparo. O senador afirmou acreditar que o agente não foi o responsável e ressaltou que ele ainda não havia sido julgado.
ATAQUES PESSOAIS
O confronto teve ataques pessoais desde o primeiro bloco. Depois de chamar Lula de “nove dedos”, Flávio questionou se o presidente governava o País ou recorria ao Google para responder às perguntas. Lula reagiu chamando o senador de “miliciano” e criticou sua postura diante das tarifas impostas por Trump, dizendo que o candidato “lambeu as botas” do presidente americano. Os dois receberam direito de resposta e aproveitaram os momentos para abordar outros temas.