SUPREMO
Disputa entre ministros mostra como crise no STF afeta as eleições no Brasil
Aliados de Alexandre de Moraes estariam tentando levar a crise do Supremo para o Tribunal Eleitoral
As divergências públicas e de bastidores entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vêm transbordando para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acendem um alerta vermelho sobre a estabilidade do processo eleitoral.
A tensão latente na mais alta Corte do país encontrou eco na Justiça Eleitoral após uma série de embates recentes entre magistrados, revelando como a crise institucional no Supremo ameaça respingar diretamente na condução do pleito.
O estopim recente dessa transferência de rota de colisão para o âmbito eleitoral envolveu decisões cruzadas sobre liberdade de expressão, envolvendo figuras centrais da Corte e respingando na corrida política.
Nos corredores de Brasília, avalia-se que o movimento tem raízes em articulações de aliados do ministro Alexandre de Moraes, intensificadas após manifestações de Gilmar Mendes sobre os rumos e a atuação do TSE.
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O clima de polarização interna ganhou tração no último fim de semana, quando o ministro André Mendonça determinou a retirada do ar de uma publicação do colunista Antônio Tabet sobre uma polêmica em torno de um projeto para destituir Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil.
A decisão foi imediatamente derrubada pelo ministro Flávio Dino, evidenciando o abismo entre ambos na crise do STF — enquanto Mendonça pressiona por investigações focadas em Alexandre de Moraes, Dino defende apurações amplas englobando todos os ministros.
Ao reverter a ordem do colega, Dino argumentou que a medida inicial feria a liberdade dos eleitores de cobrarem o posicionamento político de candidatos, abrindo precedentes para que outros atingidos por censura semelhante solicitem a extensão do entendimento.
O imbróglio ganhou ainda mais gravidade no tabuleiro político com a reação do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que classificou como fake news a associação de seu nome ao projeto sobre a padroeira e culpou o PT e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pela difusão da mentira, entidade que rebateu afirmando que inverdades não se combatem com mais desinformação.
O episódio, que afeta com maior intensidade o eleitorado católico, ganhou contornos explícitos na decisão de Dino ao pontuar que a postagem de Tabet mencionava indireuramente a família Bolsonaro ao criticar ataques a símbolos religiosos, ilustrando como o racha no STF e no TSE se retroalimenta em meio ao calor da disputa eleitoral.