Eleições 2026
Lenilda Luna defende estatizar serviços e desmilitarizar polícias
Candidata ao governo apresenta propostas para saneamento, saúde, educação, transporte, segurança e desenvolvimento
A candidata ao governo de Alagoas Lenilda Luna (UP) defendeu ontem, durante entrevista à Central das Eleições Gazeta, o socialismo como modelo de governo, a estatização de serviços essenciais e a desmilitarização das polícias. Conduzida pelo jornalista Wyderlan Araújo, a entrevista teve 30 minutos de duração e foi exibida pelos veículos da Organização Arnon de Mello (OAM).
Ao falar sobre seu programa de governo, Lenilda afirmou que pretende adotar o socialismo como princípio para a administração estadual, com maior participação dos trabalhadores e organização popular na definição de políticas públicas. A candidata também criticou a cláusula de barreira, que impede a UP, por não possuir representação no Congresso Nacional, de participar do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
ECONOMIA E ESTATIZAÇÃO
Na área econômica, Lenilda criticou o sistema capitalista e defendeu a planificação da economia, com o objetivo de direcionar a atividade produtiva para as necessidades da sociedade, e não prioritariamente para o lucro. Segundo ela, o planejamento também deveria considerar questões climáticas e contar com a participação de diferentes setores sociais.
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Lenilda defende realização de concursos públicos para contratação de servidores
"A violência policial não pode ser tratada como algo normal", afirma Lenilda
“A capacitação e a qualificação permanente têm que ser garantidas”, defende Lenilda
Lenilda Luna propõe perda de terras em casos de trabalho análogo à escravidão
Entre as propostas estão a criação de indústrias estatais, a adoção de políticas de Estado de longo prazo e um orçamento direcionado às necessidades da população. Lenilda também defendeu a criação de um banco público de desenvolvimento, citando como referência o antigo Produban, para ampliar o acesso da população a recursos.
ÁGUA E SANEAMENTO
Para o saneamento, a candidata propôs anular o contrato com a BRK e devolver à Casal os serviços de distribuição de água na Grande Maceió. Ela criticou a privatização do serviço e defendeu que a população deveria ter sido consultada sobre a transferência por meio de plebiscito.
A proposta da UP prevê ainda a estatização de serviços considerados essenciais, como saneamento, saúde, educação e moradia, sob gestão estatal e com participação da sociedade.
TRANSPORTE PÚBLICO
Na mobilidade urbana, Lenilda defendeu a criação de uma empresa pública de transporte, lembrando que Maceió já contou com uma estrutura semelhante antes da privatização. A proposta poderia ser ampliada para outros municípios, com participação popular na gestão e canais para que os usuários apresentem demandas e sugestões.
EDUCAÇÃO E SAÚDE
Para a educação estadual, a candidata propôs climatizar 100% das salas de aula e universalizar o acesso à internet. Antes da execução das medidas, segundo ela, seria necessário fazer um diagnóstico da rede para identificar as principais necessidades de cada unidade.
Na saúde, Lenilda defendeu unidades equipadas, profissionais capacitados e melhores condições de trabalho. Também propôs suspender contratos com organizações sociais e fundações privadas que administram equipamentos públicos e substituir esse modelo por uma estrutura estatal, com contratação de servidores por concurso público.
A candidata também criticou desvios de recursos e casos de corrupção no setor e defendeu maior controle sobre a aplicação das verbas públicas.
SEGURANÇA PÚBLICA
Lenilda defendeu a desmilitarização das polícias e uma mudança na concepção de segurança pública, com maior ênfase na cidadania. Ao abordar a violência policial, afirmou que a questão não pode ser tratada como algo normal e defendeu mudanças na formação dos agentes. Segundo a candidata, o debate sobre a estrutura e o funcionamento das polícias deveria envolver os próprios profissionais de segurança e também ser ampliado para o âmbito nacional.
TRABALHO E FUNCIONALISMO
Lenilda afirmou ser contrária ao trabalho análogo à escravidão e defendeu a perda da propriedade rural quando houver submissão de trabalhadores a condições degradantes, com destinação das terras à reforma agrária.
Sobre o funcionalismo público, defendeu a realização de concursos e criticou as limitações impostas pelo arcabouço fiscal. A candidata também questionou a destinação de parcela significativa do orçamento para despesas financeiras e defendeu que os recursos públicos tenham como prioridade as necessidades da população.