loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 16/08/2026 | Ano | Nº 6290
Maceió, AL
21° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Você é um people pleaser?

Confie no tio Leandro: é libertador parar de agradar a todo mundo

Ouvir
Compartilhar
Imagem ilustrativa da imagem Você é um people pleaser?
| Foto: Departamento de Criação da Central Gazeta de Notícias

A expressão tem sonoridade explosiva com os pês: people pleaser. Falamos aqui das pessoas que, de forma sistemática, tentam agradar a todos. Não se trata da desejável gentileza. Agradar a todos é um defeito.

Quem busca isso tem baixa autoestima e é inseguro. Evita o conflito como moeda para ser aceito, mesmo que sacrifique sua paz pessoal. Ainda que se anule para agradar a todos, permanece com culpa. Precisa de validação externa desde muito cedo e aprendeu que nunca deve “dar trabalho”. Para evitar a rejeição, faz o que não deseja e aceita o insuportável. Ignora a própria exaustão e diz “sim” de forma compulsiva.

O mais curioso é que ele, de fato, não atinge seu objetivo. Quer agradar sempre e sem limites, e isso cansa as pessoas. Quase todo mundo despreza o subserviente. Uma pessoa sem limites não tem identidade: no máximo, é ocasionalmente útil. Há pouco respeito por alguém que só existe sob a curvatura da espinha. Aqueles assim são procurados em emergências; cessada a necessidade, desaparece também a vontade do convívio. São úteis, jamais amados de verdade.

É bom ser útil a quem amamos. Que conforto saber que posso contar com meus amigos e familiares mais próximos. Também me agrada a ideia de ser confiável nos momentos de crise. No entanto, entre a disponibilidade como valor e a subserviência como estrutura, precisamos achar o equilíbrio.

Shorts Youtube
Play
Quem são Célia, vice de JHC, e Yale, vice de Renan Filho? Confira todas as informações

Quem são Célia, vice de JHC, e Yale, vice de Renan Filho? Confira todas as informações

Play
De Vice governador a segundo suplente: Lessa perdeu espaço? Central das Eleições analisa

De Vice governador a segundo suplente: Lessa perdeu espaço? Central das Eleições analisa

Play
Sem Marina, como fica a chapa federal do PSDB? Central das Eleições analisa

Sem Marina, como fica a chapa federal do PSDB? Central das Eleições analisa

Play
"Estou pronta para essa missão”, diz Marina JHC ao ser oficializada ao Senado

"Estou pronta para essa missão”, diz Marina JHC ao ser oficializada ao Senado

Play
JHC lança candidatura ao governo: “Ouvi Deus na voz de cada um de vocês”

JHC lança candidatura ao governo: “Ouvi Deus na voz de cada um de vocês”

Todos temos, em algum grau, traços de people pleaser em nós. Somos carentes e desejamos ser amados. Para superar o excesso de disponibilidade, comportamento pouco saudável, basta saber que há fronteiras que você não deseja ultrapassar. Existem ainda pessoas que não merecem sua atenção ou ajuda, seja porque são exploradoras natas, seja porque são simples “vampiros de alma”. Você precisa pensar se quer ajudar e dar um tempo entre o pedido e a resposta. Reflita, verifique sua disponibilidade e seja sempre generoso, jamais idiota. Siga o eterno conselho do avião: primeiro coloque a máscara de oxigênio em você mesmo, depois em quem estiver ao seu lado. Ao não perceber que também necessita de ar, o people pleaser acaba não atendendo nem ao próprio pulmão nem ao do outro.

Algumas pessoas merecem, sim, um esforço maior do que a média. Mesmo em relação a elas, defina suas fronteiras. Verifique a natureza da emergência. Aprenda a dizer não ao sentir que aquilo excede sua força, seus recursos ou sua capacidade. A reciprocidade deve ser essencial nas relações humanas. Caminhos de doação sem volta são complexos, mesmo entre pais e filhos.

Sim, eu sei: o modelo cristão é a caridade sem limites, como a vela que se consome para iluminar os outros. É um gesto absoluto que mira um sentido metafísico de recompensa eterna. Mesmo que os homens sejam todos ingratos, mesmo que meu filho seja um canalha, ainda assim o Todo-Poderoso me vê e me recompensará na eternidade. A ideia é boa e gera santos. Caso você não seja um deles, lembre-se de que não é necessário encarnar um demônio. O oposto do generoso não é o duro de coração. Defendo aqui o equilíbrio. Pense em si, mas não exclusivamente em si. Entregue-se aos outros, porém nunca além do razoável. Ajude porque ajudar é um bom modelo de vida, sem se esgotar.

Há um momento para dizer não, em família, entre amigos e no trabalho. “O que irão pensar de mim?” O de sempre: você não controla a fama, como advertem os estoicos, a exemplo de Epicteto. Doar por obrigação gera dor e ressentimento; doar sempre torna sua ação irrelevante. O sim só faz sentido em diálogo com a possibilidade do não. Quem sempre está lá sendo útil se torna invisível e nunca é respeitado.

Eu ajudei um amigo porque sou amigo, e isso me deu prazer genuíno. Mas só saberei se sou de fato alguém importante para ele quando disser não. Se meu não encerra a amizade, eu era útil, não amado; conveniente, não desejado.

Regra básica do afogamento: se você abraçar quem está em risco de vida no mar, há uma chance de os dois afundarem. Sua alma clama pelo martírio de ir ao fundo em enlace profundo? Siga em frente! A quantidade de gente que não sabe nadar e se atira ao oceano é infinita. Empreste todo o seu dinheiro, doe todo o seu tempo, ofereça tudo aquilo que você é e tem: o mundo continuará sendo um vale de lágrimas, e a gota do seu esforço nunca matará a sede ardente do deserto da contingência alheia. Pior: quem demanda fará isso cada vez mais e com mais intensidade, e considerará que você é ingrato se tiver atendido a 999 pedidos e recusado apenas o milésimo.

A gratidão não é uma virtude universal. Não deve ser esperada nem cobrada. Contudo, assim como as pessoas são livres para dizer, ou não, obrigado, você é livre para dizer não. Liberte-se do peso de querer agradar. Liberte-se de existir para o outro. Viva com os outros e ofereça o que pode ser oferecido na jornada compartilhada deste mundo. Seja generoso consigo e, sempre que sentir oportunidade e possibilidade, ajude outras pessoas. Confie no tio Leandro: é libertador parar de agradar a todo mundo. Tenho esperança na entrega sem culpa e na generosidade sem algemas.

Relacionadas