Eleições 2026
Vaga de vice vira peça-chave na disputa pelo governo de Alagoas
A poucos dias das convenções, JHC e Renan Filho ainda negociam nomes para consolidar alianças A poucos dias das convenções, JHC e Renan Filho ainda negociam nomes para consolidar alianças
A definição dos candidatos a vice-governador nas chapas encabeçadas por JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB) segue como um dos pontos mais estratégicos e indefinidos da disputa eleitoral em Alagoas. A escolha dos nomes, considerada peça-chave para o equilíbrio político e eleitoral das alianças, deve ser oficializada apenas no dia 5 de agosto, durante as convenções partidárias, mas até lá os bastidores permanecem intensos.
No campo governista, liderado por Renan Filho, uma nova articulação ganhou força nas últimas semanas com a possibilidade de indicação da vice-prefeita de Arapiraca, Rute Nezinho (PSD). O nome surge como alternativa que, na avaliação de aliados, pode resolver múltiplas equações políticas.
Além de ampliar a presença feminina na chapa, Rute possui forte inserção no Agreste e integra um grupo político influente: é irmã do deputado estadual Ricardo Nezinho, aliado do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor.
A eventual escolha também dialoga com o cenário eleitoral em Arapiraca. Rute é pré-candidata a deputada federal pelo PSD e divide base com Daniel Barbosa, filho do prefeito do município, Luciano Barbosa. Sua ida para a vice poderia reduzir a concorrência direta por votos no Agreste, reorganizando o tabuleiro eleitoral na região.
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Outros nomes seguem no radar do MDB para compor a chapa. O empresário e suplente de senador Fernando Farias é um dos cotados. Caso ele seja escolhido e a chapa seja vitoriosa, abriria espaço no Senado para a médica Adélia Maria Correia assumir a cadeira definitivamente. Também é lembrado o nome do deputado federal Rafael Brito, visto como opção para acomodar interesses internos após sua atuação nas eleições municipais de 2024.
Além disso, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) reivindica espaço na composição, sustentando que a aliança nacional com o MDB credenciaria o grupo a indicar o vice. Nesse cenário, o nome do presidente estadual do PT, Ronaldo Medeiros, aparece como possibilidade.
DILEMA
Na oposição, liderada por JHC, o cenário também está em aberto. O vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) é apontado como nome alinhado para compor a chapa, após reaproximação política com o prefeito de Maceió. Lessa agrega experiência administrativa e trânsito político, mas sua ligação com setores da esquerda e o alinhamento ao presidente Lula geram resistência em segmentos mais conservadores, especialmente entre eleitores bolsonaristas.
Nesse contexto, ganha força o nome da ex-prefeita de Arapiraca e ex-deputada federal Célia Rocha (PSDB). Sua recente filiação ao partido e sua forte base no Agreste são vistas como trunfos para ampliar o alcance eleitoral da chapa no interior. Além disso, sua identificação com o eleitorado de direita tende a reduzir resistências dentro do campo oposicionista, funcionando como possível ponto de equilíbrio político.
Outro nome que chegou a ser cogitado foi o de Lucas Barbosa, filho de Luciano Barbosa. No entanto, ele deixou a disputa pela vice para manter sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa, embora siga atuando politicamente ao lado de JHC.
NEUTRALIDADE
A movimentação em torno dos nomes para vice também evidencia a posição estratégica do prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, que caminha para adotar postura de neutralidade na disputa pelo governo. Filiado ao MDB, ele mantém vínculos com diferentes grupos políticos: tem o filho Daniel Barbosa no Progressistas, aliado de Arthur Lira, e outro filho, Lucas, no PSDB de JHC. Diante desse cenário, a neutralidade surge como alternativa para preservar suas relações políticas e evitar desgastes com aliados de diferentes campos.