POLÍTICA
ALE debate Plano Estadual de Igualdade Racial e ouve cobranças por ‘reparação histórica’
Sessão especial na Assembleia Legislativa tem detalhamento de política inédita e pedidos para acelerar mudança no nome da Avenida Fernandes Lima
A Assembleia Legislativa realizou nessa sexta-feira (26) uma sessão especial para debater o Plano Estadual de Igualdade Racial, política pública inédita em Alagoas voltada ao combate ao racismo e à promoção dos direitos da população negra, quilombola e cigana.
Proposta pelo deputado Ronaldo Medeiros (PT), a sessão foi presidida pelo deputado Lelo Maia (MDB) e reuniu representantes do poder público, movimentos sociais e comunidades tradicionais.
Lelo Maia abriu os trabalhos questionando a lógica da meritocracia num país marcado por desigualdades históricas. “Como eu posso falar em meritocracia se o Estado não deu oportunidade para a criança de origem periférica, de origem negra, ter as mesmas oportunidades que eu tive? É certo a gente ter uma política pública que busque igualar as condições”, disse o parlamentar.
A ialorixá Mãe Mirian — Yá Binan denunciou que a abolição de 1888 foi incompleta. “O Brasil tirou as correntes dos pés, mas manteve as correntes na educação, na saúde, no emprego, na segurança, na liberdade, sem reparação e só uma palavra bonita”, afirmou.
Mãe Mirian também relembrou a perseguição histórica ao candomblé em Maceió e cobrou que a memória do povo negro seja reparada. “Nome de rua é memória. E a memória do povo preto não pode continuar quebrada”, disse, ao defender que a Avenida Fernandes Lima passe a se chamar Avenida Tia Marcelina.
O secretário de Estado dos Direitos Humanos, Fernando Nascimento, apresentou o plano e afirmou que Alagoas se torna um dos primeiros estados brasileiros a estruturar uma política pública de igualdade racial, ficando atrás apenas da Bahia. O documento orienta ações governamentais de forma integrada em eixos como educação, saúde e segurança.