Maceió
Graça Dias recua da disputa pela vaga do PP e deixa batalha jurídica nas mãos do partido
TSE está em recesso e pastor João Luiz segue ocupando a cadeira deixada pelo delegado Thiago Prado
A suplente de vereadora Graça Dias (PP), presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal), saiu da linha de frente da disputa pela cadeira que o Partido Progressista reivindica na Câmara Municipal de Maceió.
Mesmo após decisão favorável da Justiça Eleitoral de primeira instância, ela afirmou ontem que a condução do caso passou para a direção estadual do partido. "A luta pela vaga do PP hoje ocupada por um parlamentar do PSDB agora é do diretório estadual do nosso partido", declarou.
A disputa tem origem em abril, quando o vereador Thiago Prado (PP) assumiu a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã e abriu espaço para a convocação de suplentes. A Mesa Diretora chamou primeiro João Catunda, que desistiu. O segundo da lista, o pastor João Luiz, assumiu o mandato em 15 de abril. O problema é que ele, Catunda e o terceiro suplente, o médico Ronaldo Luz, haviam deixado o PP para ingressar no PSDB, acompanhando o grupo político do ex-prefeito JHC.
O presidente da Câmara, vereador Chico Filho (PSDB), explicou que a convocação seguiu orientação da Procuradoria-Geral da Casa e respeitou a lista homologada pelo TSE e pelo TRE, cabendo à Justiça Eleitoral resolver qualquer questão de fidelidade partidária.
Foi exatamente com esse entendimento que o juiz da 1ª Zona Eleitoral de Maceió, Luciano Andrade, aplicou a Lei da Fidelidade Partidária ao caso e concluiu que a vaga deveria permanecer com o PP — o que, na prática, beneficiaria Graça Dias, quarta suplente da legenda após as três desfiliações. A decisão, porém, foi contestada pelos advogados do pastor João Luiz, que recorreram ao TRE, e o processo chegou ao TSE, onde aguarda julgamento.
O advogado do PP, Fábio Gomes, informou em nota que o tribunal está em recesso. "Só deveremos ter novidades no início de julho, quando o processo chegar ao TSE", disse.
Com o imbróglio sem previsão de resolução, Graça Dias voltou o foco para a Adefal, que realiza cerca de 1,5 mil atendimentos diários nas áreas de reabilitação física, auditiva e intelectual. A instituição funciona com repasses mensais de aproximadamente R$ 1 milhão do Ministério da Saúde, além de emendas parlamentares e doações.
Neste ano, segundo ela, já foram distribuídas 300 cadeiras de rodas, incluindo modelos motorizados e adaptados para tetraplégicos, para cobrir a demanda represada de 2025. "O PP está à frente desta batalha jurídica. Eu estou cuidando da Adefal", afirmou.