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Caso Master

Sem deixar liderança, Jaques Wagner leva crise para centro do governo

Para cientista político da FGV, permanência do parlamentar na função pode ampliar desgaste do Planalto

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Jaques Wagner foi alvo de operação da PF sobre o Caso Master
Jaques Wagner foi alvo de operação da PF sobre o Caso Master | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, abriu uma nova frente de desgaste para o Palácio do Planalto e gerou avaliações sobre os possíveis reflexos do caso para o presidente Lula. Para o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o afastamento de Wagner da liderança seria a medida mais adequada para evitar que a crise atinja diretamente o governo.

Segundo o especialista, a permanência do senador no cargo tende a dificultar as articulações políticas do Executivo no Congresso e a ampliar o desgaste da gestão federal. “Se Jaques Wagner não pedir afastamento desse cargo, ele leva a crise para dentro do governo”, afirmou.

Wagner foi alvo da operação que investiga sua suposta ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os elementos apontados pelas investigações estão valores em moeda estrangeira encontrados em sua posse — US$ 66 mil e 39 mil euros — e a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões ligada ao empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro.

Em entrevista à Band, o senador negou qualquer irregularidade, afirmou que permanecerá na liderança do governo e revelou ter recebido uma ligação de apoio do presidente Lula, de quem é aliado histórico.

Na avaliação de Couto, embora o episódio possa provocar desgaste político ao governo, o impacto sobre uma eventual candidatura de Lula à reeleição tende a ser menor do que o observado no caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro. Isso porque, segundo ele, não há uma ligação direta entre as investigações e o presidente da República.

O cientista político avalia, porém, que a operação pode interromper temporariamente a recuperação de Lula nas pesquisas de intenção de voto observada nas últimas semanas. Ainda assim, ele não acredita que o episódio seja suficiente para provocar mudanças significativas no cenário eleitoral.

Para Couto, o PT também deverá reduzir o uso do discurso que associa o bolsonarismo a Vorcaro, sintetizado na expressão “BolsoMaster”. Diante das investigações envolvendo uma das principais lideranças petistas, a tendência seria adotar uma postura mais cautelosa.

Segundo o pesquisador, a principal linha de defesa do governo deverá enfatizar a independência da Polícia Federal, argumento que Lula poderá utilizar ao ser questionado sobre as apurações que atingem um dos seus mais importantes aliados políticos.

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