Eleições 2026
Davi Filho mantém pré-candidatura ao Senado Federal e descarta MDB
Ex-deputado realiza ato político neste sábado, enquanto mantém diálogo aberto com grupo de JHC
Prestes a lançar sua pré-candidatura ao Senado, Davi Davino Filho (Republicanos) endureceu o discurso político e delimitou com clareza seu posicionamento no cenário alagoano: afirmou que sua candidatura é “irreversível” e “inegociável”, descartou qualquer possibilidade de aliança com o grupo político do senador Renan Filho (MDB) e, por outro lado, manteve aberta a via de diálogo com o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB).
A análise foi feita em entrevista à Gazeta de Alagoas, concedida no momento em que o pré-candidato se prepara para o ato político deste sábado (13), no ginásio do Colégio Fantástico, no Benedito Bentes, na parte alta da capital.
Mais do que confirmar o lançamento, Davino Filho se posiciona de maneira contundente negando qualquer possibilidade de composição com o MDB. Com esta atitude, ele diz se afastar de uma das principais frentes de articulação no estado. A declaração ocorre mesmo diante de movimentações públicas indicando interesse do grupo governista na aproximação com o Republicanos.
Em fala durante entrevista à imprensa, na última quinta-feira (11), Renan Filho afirmou que o MDB defende uma frente ampla pelo desenvolvimento de Alagoas. Para isso, o partido que lidera a pré-campanha majoritária abriu diálogo com o Republicanos, partido que em Alagoas é comandado pelo filho do deputado estadual Antônio Albuquerque. Aliás, o ex-governador fez elogios ao desempenho político da família Albuquerque e disse reconhecer o peso político que ela tem no interior do estado.
Por outro lado, Davi Filho, como integrante do partido e com o aval da presidência nacional da sigla, afirma que não tem interesse algum em firmar aliança com a equipe governista, que sempre foi seu alvo nos discursos pela mudança política. Ele negou a eventual aliança.
“Não existe qualquer possibilidade de tratativa nesse sentido. Não há possibilidade de composição com o MDB”, dispara.
Ao mesmo tempo, o pré-candidato evita o isolamento. Em relação ao ex-prefeito JHC, pré-candidato ao governo de Alagoas, ele adota um tom de equilíbrio, destacando a manutenção de uma relação baseada em “diálogo e admiração mútua”. Sem antecipar alianças formais para 2026, a sinalização indica a preservação de um canal político que pode se tornar estratégico no decorrer da disputa.
“Tenho minhas avaliações sobre o cenário estadual e, no momento oportuno, tornarei públicas as decisões políticas relacionadas a esse tema. Minha relação com JHC continua como sempre foi, de mútuo diálogo e admiração mútua”, destacou.
Esse movimento duplo — de fechamento de uma porta e manutenção de outra — revela uma estratégia calculada: construir uma candidatura independente, sem abrir mão da capacidade de articulação.
“O diálogo sempre fará parte da política. Seguimos dialogando com diversos setores da sociedade e da política. A pré-candidatura permanece independente, firme e sólida. Alagoas não tem dono. Alagoas tem povo. E o povo tem o direito de escolher livremente os seus representantes”, completa.
A mesma linha é adotada ao tratar da relação com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e pré-candidato ao Senado, com quem afirma manter respeito institucional e canais de diálogo abertos. “Tenho uma relação de respeito com Arthur Lira. Ao longo dos anos sempre mantivemos diálogo institucional e respeito mútuo. Os canais de diálogo permanecem abertos, sempre com respeito às posições de cada um”.
Davi Filho reconhece que sofreu investidas “de todos os lados” para que recuasse da disputa, o que, segundo ele, faz parte da dinâmica política. Ainda assim, transforma esse cenário em argumento para reforçar sua permanência. “A pré-candidatura é irreversível e inegociável”, reiterou, ao destacar que tem convicção no caminho político que decidiu seguir.
No campo das propostas, Davi Filho afirma que pretende levar ao Senado uma atuação baseada no equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social. O foco, segundo ele, será ampliar a capacidade de Alagoas de atrair recursos, ao mesmo tempo em que reforçará o papel fiscalizador para garantir que esses investimentos cheguem efetivamente à população.
A defesa da fiscalização e da correta aplicação dos recursos públicos aparece como um dos pilares do discurso, ao lado da garantia de direitos fundamentais e da promoção da dignidade humana. A estratégia é alinhar uma pauta de responsabilidade econômica com sensibilidade social, compondo uma narrativa que dialoga com diferentes segmentos do eleitorado.