ARTIGO
Valor do jornalismo
O Dia Nacional da Imprensa, celebrado em primeiro de junho, convida à reflexão sobre o papel do jornalismo na defesa da democracia e do direito coletivo à informação de qualidade. Em uma sociedade marcada pelo fluxo massivo e instantâneo de conteúdos digitais – com parcela preocupante de desinformação e manipulação pelas redes sociais -, fortalecer a formação profissional do jornalista é muito mais que uma questão corporativa: tornou-se uma necessidade pública. A imprensa exerce função estratégica na mediação dos fatos, no questionamento aos que exercem o poder e na ampliação do debate plural, indispensável à vida democrática.
A profissionalização do jornalismo no Brasil representou um avanço civilizatório. O ensino superior ajudou a transformar uma atividade, antes marcada pelo improviso, em uma profissão estruturada, baseada em técnica, método e responsabilidade social. É no ambiente acadêmico que a formação em jornalismo sistematiza seu papel e reflete acerca de critérios éticos e compromisso com o interesse público. Se existem falhas nos cursos, o caminho responsável é aperfeiçoar currículos e métodos pedagógicos, jamais abandonar a exigência da formação qualificada.
O jornalista não é apenas alguém que escreve em torno da factualidade. Seu papel é apurar e interpretar a realidade com rigor, contextualizando acontecimentos complexos e traduzindo temas políticos, econômicos e sociais para a população. Isso exige repertório intelectual, preparo técnico, sólida formação humanística e compromisso com a verdade. Sem esse suporte, cresce cada vez mais o risco da superficialidade, vulnerável à reprodução automática de recortes de contextos do cotidiano, que são disparados em massa pelo ecossistema digital.
A universidade também deve desempenhar papel decisivo na formação ética do profissional. É nela que o estudante pode compreender os limites entre informação, propaganda e opinião, além de desenvolver senso crítico diante das pressões políticas e comerciais que cercam as redações contemporâneas. Em tempos de polarização extrema e notícias fraudulentas produzidas em escala industrial, a formação acadêmica pode funcionar como um importante mecanismo de proteção da integridade informacional.
Todo mundo tem o direito de se manifestar livremente, tendo o jornalismo como pressuposto da responsabilidade técnica, do compromisso com a verificação dos fatos e observância de princípios éticos. Da mesma forma que a sociedade exige qualificação em áreas essenciais, também deve valorizar a origem da preparação daqueles que lidam diariamente com um dos bens mais sensíveis da vida pública: a informação.
Defender a regulamentação profissional e a valorização dos cursos de Jornalismo não significa criar reserva de mercado, mas proteger o direito da população a uma informação confiável, plural e socialmente responsável. Quanto mais qualificada for a imprensa, maior será a capacidade da sociedade de enfrentar a desinformação, fiscalizar instituições e preservar o debate democrático. Em um tempo de excesso de ruído e escassez de credibilidade, o jornalismo profissional continua sendo uma das bases mais importantes da vida republicana.