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Escândalo financeiro

Renan Calheiros intensifica pressão sobre caso Master

Presidente da CAE do Senado cobra transparência nas investigações e questiona atuação do Banco Central

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Renan questionou Galípolo (centro) sobre relação entre BC e Vorcaro
Renan questionou Galípolo (centro) sobre relação entre BC e Vorcaro | Foto: Edilson Rodrigues

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, protagonizou ontem a principal ofensiva política sobre o caso Banco Master ao cobrar transparência nas investigações, apontar fragilidades na fiscalização do sistema financeiro e levantar suspeitas sobre movimentações que, segundo ele, expõem ilegalidades, influência política e falhas graves dentro do próprio Banco Central.

A ofensiva ocorreu durante audiência com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, convocado para prestar contas ao Legislativo sobre a política monetária e cambial, mas que acabou sendo pressionado a responder sobre os desdobramentos do escândalo financeiro.

Ao abrir a sessão, Renan classificou o caso como um dos mais graves já registrados no País. “A vinda hoje aqui incorpora, sem dúvida nenhuma, um fator ainda mais relevante e ainda mais gravíssimo da circunstância que nós vivemos diante da escalada sem fim do maior escândalo financeiro do país, talvez do mundo.”

Na sequência, o senador apontou o que classificou como um ambiente de falhas institucionais profundas. “Redundou em prejuízos bilionários, prisões, diversos inquéritos policiais que apuram crimes seriados envolvendo autoridades brasileiras em todos os poderes. Fundos de pensão, fundos de previdência, bancos estaduais, títulos podres, manipulação e corrupção de diretores, até mesmo do próprio Banco Central.”

Segundo Renan, o caso Banco Master expôs “brechas legais”, “cegueira fiscalizatória deliberada” e “apadrinhamentos políticos e institucionais”, o que, na avaliação dele, exige revisão da legislação sobre crimes financeiros e maior controle sobre a relação entre autoridades públicas e o mercado financeiro.

O presidente da CAE também defendeu maior transparência nas investigações e reiterou pedidos para que Banco Central, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União compartilhem informações com a comissão. Para Renan, a CAE se tornou hoje a principal trincheira institucional do Legislativo sobre o caso.

Outro ponto levado ao debate foi a relação entre Daniel Vorcaro e o Banco Central. Segundo Renan, dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontam que o banqueiro realizou 24 visitas ao BC.

O senador cobrou explicações sobre esses encontros e elevou a gravidade da denúncia. “Dois ex-diretores do Banco Central estiveram comprovadamente envolvidos fazendo advocacia administrativa de Vorcaro dentro do Banco Central.”

Galípolo respondeu que não participou da maioria das reuniões e argumentou que encontros com instituições financeiras em situação delicada fazem parte da rotina regulatória. “É supercomum que um banco que esteja em condições de dificuldade tenha reuniões longas, extensas.”

CAMPOS NETO

Renan também levou para a audiência questionamentos envolvendo o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Segundo o senador, houve falta de transparência em um termo de compromisso firmado com Campos Neto em caso relacionado ao Banco Santander, referente a irregularidades em contratos de câmbio. “O Banco Central fez um termo de compromisso sem a devida transparência, lamentavelmente, com Roberto Campos Neto, acusado de cometer irregularidades, quando diretor do Banco Santander.”

Renan afirmou que o ex-presidente do BC deixou a instituição sem apresentar defesa formal e criticou o valor do acordo. “Ele pagou R$ 300 mil, quando a multa, nesses casos, chega a R$ 2 bilhões.” Galípolo defendeu o procedimento e afirmou que a decisão seguiu rito colegiado da autoridade monetária. Ele reconheceu limitações estruturais no Banco Central e admitiu dificuldades de supervisão.

EMPRÉSTIMO

Renan ainda citou mensagens interceptadas nas investigações que, segundo ele, apontariam a concessão de um empréstimo de R$ 140 milhões à cunhada do presidente da Câmara, Hugo Motta.

De acordo com o senador, a operação estaria relacionada a uma emenda no projeto do mercado de carbono que beneficiaria interesses ligados ao grupo controlador do Banco Master.

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