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Cabo Bebeto endurece discurso e ameaça judicializar saída de vereadores do PL

JHC reage à destituição, rejeita “cabresto” partidário e reforça discurso de independência política

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Cabo Bebeto diz que prioridade é evitar a debandada de vereadores eleitos pelo PL em Maceió
Cabo Bebeto diz que prioridade é evitar a debandada de vereadores eleitos pelo PL em Maceió | Foto: Ascom ALE

Em meio à crise interna no Partido Liberal em Alagoas, o deputado estadual Cabo Bebeto, que assumiu interinamente a presidência da sigla no Estado, adotou um tom firme ao detalhar as primeiras medidas para conter possíveis desdobramentos da destituição do prefeito de Maceió, JHC, do comando estadual.

Segundo Bebeto, a prioridade do partido é evitar uma eventual debandada de vereadores eleitos pela legenda, diante de especulações sobre migração para outras siglas. Ele afirmou que a direção nacional já sinalizou que não permitirá movimentações que possam configurar infidelidade partidária. “Se os vereadores decidirem sair, o Partido Liberal vai questionar a infidelidade partidária judicialmente”, declarou.

Apesar do discurso contundente, o parlamentar ponderou que a intenção não é acirrar conflitos, mas garantir segurança jurídica e preservar a composição definida nas urnas. Ele também fez um apelo por cautela a vereadores e suplentes, alertando para os riscos políticos e legais de decisões precipitadas.

“O partido não vai permitir mudança partidária. Foram eleitos pelo PL e o partido quer mantê-los”, reforçou.

Como medida imediata, o novo comando informou que deve acionar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para formalizar a situação partidária e assegurar estabilidade interna. “O partido vai acionar o TRE para que todos tenham segurança ao permanecer no PL”, afirmou.

“CABRESTO”

As declarações ocorrem em um contexto de forte tensão interna, após a intervenção da direção nacional do partido no diretório estadual — movimento que intensificou incertezas sobre o futuro político de JHC e de seus aliados.

Vereadores ligados ao prefeito, inclusive, convocaram uma reunião de emergência para esta terça-feira (24), com o objetivo de avaliar o cenário.

No fim de semana, durante a inauguração de obras em Maceió, JHC reagiu publicamente ao episódio e elevou o tom do discurso ao defender sua independência política e rejeitar qualquer tipo de pressão partidária. Sem citar diretamente a decisão da executiva nacional, criticou práticas tradicionais da política e afirmou que não se submete a “cabresto”.

“A gente não se rende, a gente não baixa a cabeça, ninguém nos encabresta, porque aqui não tem etiqueta de vende-se. Aqui tem ideal, propósito e missão”, disse.

O prefeito reforçou que sua trajetória é marcada pela autonomia e associou sua legitimidade política aos resultados administrativos. “As pessoas me conhecem pela minha independência. Eu cheguei aqui com as próprias pernas”, afirmou.

JHC também minimizou o ambiente de tensão, classificando parte do cenário como “entretenimento político”, e destacou que há um descompasso entre disputas partidárias e as demandas da população. “As pessoas querem menos falar e mais fazer. A gente não vive disso, a gente vive de trabalho, de realizações e de entregas”, declarou.

Ao abordar alianças, o prefeito disse não descartar composições, mas condicionou qualquer entendimento à convergência de ideias. “Eu não tento constranger ninguém. Eu tento convencer as pessoas para andar ao meu lado”, afirmou, acrescentando que sua atuação política se baseia na construção de confiança, e não em acordos de bastidores.

Nos bastidores, aliados indicam que JHC avalia deixar o PL e se filiar ao PSDB, movimento que lhe garantiria maior autonomia para disputar o governo de Alagoas e montar uma chapa majoritária.

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