Fraudes
Após pedido da PF, Mendonça prorroga inquérito do caso Master por 90 dias
Decisão ocorre em meio à expectativa de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, peça-chave da investigação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por 60 dias o inquérito que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, em decisão tomada ontem.
O pedido de prorrogação foi feito pela Polícia Federal, que considera a medida indispensável para o avanço das investigações. A decisão também leva em conta a expectativa de uma possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como peça-chave nas apurações.
Segundo os investigadores, o novo prazo permitirá aprofundar a análise de provas, especialmente o cruzamento de dados bancários e a apuração da estrutura societária da instituição.
As apurações são conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos fraudulentos pelo banco. De acordo com estimativas preliminares, as irregularidades podem alcançar R$ 17 bilhões.
Inicialmente focada na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília, a investigação foi ampliada e passou a incluir suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, com possível envolvimento de agentes dos poderes Judiciário e Legislativo.
DELAÇÃO
A eventual colaboração de Vorcaro é vista como estratégica pelos investigadores. Caso seja formalizada neste estágio, a delação deverá ser conduzida diretamente pela Polícia Federal, uma vez que o inquérito ainda não chegou à fase de apresentação de denúncia pela Procuradoria-Geral da República.
A operação está na terceira fase, que já resultou na prisão de Vorcaro — pela segunda vez —, atualmente custodiado em presídio federal em Brasília. A decisão foi submetida à Segunda Turma do STF, que formou maioria para manter a prisão, restando apenas o voto do ministro Gilmar Mendes.
O inquérito passou ao gabinete de Mendonça em fevereiro, após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria em meio a questionamentos sobre sua relação com o investigado. Desde então, o atual relator tem revisado medidas adotadas anteriormente e autorizado novas diligências no caso.
CONVOCAÇÃO
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado decidiu ontem rejeitar a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, para depor no colegiado. Foram quatro votos a favor da aprovação e seis para rejeitar.
Em entrevistas, Valdemar confirmou as doações feitas à campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, dono do Banco Master.
A ex-noiva de Daniel Vorcaro Martha Graeff teve a convocação aprovada no colegiado. Na semana passada, a CPMI do INSS também aprovou requerimento da empresária. Atualmente, ela mora em Miami, nos Estados Unidos.
No início do mês, a empresária anunciou que adotaria medidas legais sobre o vazamento de mensagens íntimas trocadas com o banqueiro, preso por em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.