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Agosto Lilás

Sessão especial da ALE discute dados sobre violência de gênero em Alagoas

Relatório semestral indica predominância de agressores jovens e maior vulnerabilidade de mulheres negras

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Sessão especial realizada ontem pela Assembleia Legislativa integra as ações do Agosto Lilás
Sessão especial realizada ontem pela Assembleia Legislativa integra as ações do Agosto Lilás | Foto: COMUNICAÇÃO ALE

A Assembleia Legislativa de Alagoas realizou ontem sessão especial para apresentação dos dados do Observatório Alagoas de Igualdade de Gênero (OAIG) referentes ao primeiro semestre de 2025. A iniciativa integra as ações do Agosto Lilás e foi proposta pela deputada Fátima Canuto (MDB). As informações são da assessoria de comunicação da ALE.

Criado em 2023, o Observatório é fruto de parceria entre a Polícia Civil e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com objetivo de monitorar e propor medidas de enfrentamento à violência contra a mulher. O levantamento traça perfis de vítimas e agressores e deve servir de base para novas políticas públicas.

Durante a sessão, a delegada Ana Luiza Nogueira, coordenadora das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), informou que mais de mil homens foram presos por violência contra mulheres em 2025, o maior número já registrado no Estado. A maioria dos agressores tem entre 17 e 25 anos.

Ela defendeu a inclusão da Lei Maria da Penha como disciplina escolar.

A pesquisa aponta que mais de 60% das vítimas são mulheres negras (pretas e pardas). Segundo a professora Andrea Pacheco de Mesquita (Ufal), os dados revelam a necessidade de políticas intersetoriais que envolvam saúde, educação e geração de renda. Paula Lopes, do Centro de Defesa dos Direitos da Mulher, destacou a vulnerabilidade de mulheres agricultoras e donas de casa e chamou atenção para os altos índices de violência psicológica.

A professora Andrea Pacheco de Mesquita, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), apresentou a metodologia inovadora do observatório, destacando que o estudo traça o perfil tanto da vítima quanto do agressor — um diferencial em relação a outras pesquisas nacionais.

Segundo ela, mais de 60% das mulheres que sofrem violência em Alagoas são negras (pretas e pardas). Nesse contexto, defendeu a adoção de políticas intersetoriais que vão além da segurança pública, envolvendo também saúde, educação e o enfrentamento ao machismo cultural.

Para a pesquisadora, a autonomia econômica das mulheres é um fator decisivo, pois garante condições para que possam deixar situações de violência, cuidar dos filhos e assegurar seu próprio sustento.

MAIS RIGOR

Deputadas presentes ressaltaram a importância da produção de dados para orientar estratégias de enfrentamento. Cibele Moura (MDB) defendeu maior rigor nas punições e lembrou lei que obriga condomínios a denunciarem casos de violência doméstica. Flavia Cavalcante (MDB) alertou para a gravidade da violência psicológica e pediu que a sociedade não normalize agressões.

A deputada Carla Dantas (MDB) anunciou encaminhamento concreto da sessão: a proposta de instalação de uma Delegacia da Mulher em Arapiraca, a ser apresentada ao Governador Paulo Dantas junto com os resultados do observatório.

No encerramento, Fátima Canuto afirmou que os dados serão levados ao Executivo e destacou a necessidade de ampliar a participação masculina no debate sobre violência de gênero.

A sessão contou com a presença de parlamentares da bancada feminina, representantes da OAB-AL, da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica e da Patrulha Maria da Penha..

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