Artigo
No empreendedorismo, o contrário do medo é a fé!
Todo empreendedor conhece o frio na barriga de assinar o primeiro contrato, abrir a primeira porta, pagar a primeira folha sem ter certeza de que o caixa vai fechar. Dizem que o remédio é a coragem. Eu defendo outra coisa: o antônimo de medo não é coragem, é fé. A coragem é o que se faz. A fé é o que sustenta quem faz. A Bíblia não está de brincadeira com esse assunto.
Uma das frases mais repetidas da Escritura é “não temas”, que ecoa de Gênesis ao Apocalipse, dita a Abraão, Josué, Gideão, Maria, José e aos discípulos. A contagem exata muda conforme a tradução, mas poucas ordens aparecem tantas vezes. Quando Deus insiste tanto, é porque conhece o coração humano: o medo é o inimigo mais constante de quem foi chamado a construir. Deus nunca diz “seja corajoso” no vazio.
Em Josué 1:9, a ordem vem com a razão: “o Senhor, o teu Deus, é contigo por onde quer que andares”. A coragem tem fundamento. Sem ele, vira imprudência. E quantos negócios quebraram porque seus responsáveis confundiram bravata com convicção! Quem tem fé não nega o risco: planeja, calcula, assessora-se, mas não deixa que o risco decida quem ele é.
Em Mateus 14, Pedro caminhou sobre as águas e só afundou quando desviou os olhos de Cristo para olhar o vento. O vento era real. A tempestade do mercado também: crise, juros, concorrência, inadimplência. O erro não foi enxergar o vento, foi deixar de olhar para quem o chamava. Os dois empreendedores sentem medo. Só um sabe em quem está apoiado.
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A parábola dos talentos, em Mateus 25, é talvez o maior tratado de empreendedorismo da Bíblia. O servo que enterrou o talento foi punido por confessar o motivo: “tive medo”. Os outros dois arriscaram, multiplicaram e foram chamados de fiéis, não de “ousados”. O medo enterra, a fé investe. Paulo escreveu a Timóteo que Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de domínio próprio: poder para executar, amor para servir clientes e equipe, domínio próprio para decidir com a cabeça fria.
Fé não é ingenuidade nem promessa de sucesso garantido. Não dispensa trabalho, contabilidade, contrato bem redigido e gestão séria. É a certeza de que o resultado final não depende só de mim, e isso liberta. Quem carrega sozinho o peso de todos os desfechos vive no medo. Quem faz o seu melhor e entrega o resto a Deus dorme melhor e decide melhor.
Por isso, repito a quem vai começar, a quem está na travessia e a quem pensa em desistir: não temas. Não porque o caminho seja fácil, mas porque você não está sozinho. Medo é olhar para as circunstâncias. Fé é olhar para Deus. E quem olha para Deus, mesmo tremendo, dá o passo.