Editorial
Crescimento e equilíbrio fiscal
O próximo governo Lula terá o desafio de conciliar responsabilidade fiscal, crescimento econômico e manutenção das políticas sociais. A reunião de ontem do presidente com economistas e integrantes do governo sinaliza a disposição de preservar o Estado como indutor do desenvolvimento, sem concentrar o ajuste na redução de despesas sociais.
Não há dúvida de que há espaço para rever privilégios, supersalários, emendas parlamentares e gastos tributários, além de melhorar a eficiência dos programas públicos. Entretanto, essas medidas precisam integrar um plano consistente de controle das despesas e redução do desequilíbrio das contas públicas. A resistência do mercado às sinalizações do governo e a manutenção da Selic em 13,75% reforçam a dimensão do problema.
Lula não precisa abandonar seu projeto desenvolvimentista nem promover um choque fiscal que coloque o País em recessão. Precisa, porém, demonstrar que compromisso social e equilíbrio das contas são objetivos complementares.
A credibilidade do governo dependerá menos dos discursos e mais da capacidade de transformar intenções em decisões concretas que garantam um crescimento sustentável, inflação controlada e taxas de juros em patamares mais civilizados.
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