Editorial
Capacidade de expansão
O crescimento de 2,7% no consumo das famílias brasileiras entre janeiro e setembro indica que a economia mantém capacidade de expansão, apesar da perda de ritmo. O mercado de trabalho aquecido, a redução do desemprego, o aumento de ganhos e as transferências de programas sociais ajudam a sustentar a demanda, demonstrando a importância da geração de empregos e das políticas de distribuição de renda.
A isenção de impostos sobre produtos da cesta básica também representa um estímulo ao poder de compra, sobretudo das famílias de menor rendimento.
Outro aspecto que merece atenção é a relação entre o orçamento doméstico e as apostas online. A proibição das bets, apontada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) como um dos fatores que contribuíram para o aumento das vendas de alimentos, reforça a necessidade de discutir os efeitos econômicos e sociais desse mercado.
O cenário, entretanto, exige cautela. O endividamento continua sendo um obstáculo à expansão do consumo. O governo não deve apenas estimular a demanda no curto prazo, mas criar condições para um crescimento sustentável, com inflação controlada, crédito acessível, investimentos, produtividade e equilíbrio das contas públicas.
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