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O Brasil e a economia do futuro

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A economia mundial está mudando a forma de gerar riqueza. O crescimento das próximas décadas vai depender de energia limpa, de minerais essenciais à transição energética, de alimentos produzidos com responsabilidade ambiental e de indústrias de baixo carbono.

Isso deixou de ser só pauta ambiental: hoje é critério de investimento, regra de comércio e exigência dos mercados mais competitivos. Nesse cenário, poucos países reúnem condições tão favoráveis quanto o Brasil. Segundo o Balanço Energético Nacional, da Empresa de Pesquisa Energética, cerca de 88% da nossa eletricidade vem de fontes renováveis, e o Nordeste lidera a expansão eólica e solar.

Não por acaso, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou, em visita ao país, que, na transição para energias limpas, “nenhum outro país se encaixa tão bem”. Somam-se a isso a liderança em biocombustíveis, o potencial para o hidrogênio verde e uma biodiversidade sem paralelo.

A mesma vantagem aparece no subsolo. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, temos a segunda maior reserva de terras raras do planeta, com cerca de 23% do total mundial, além das maiores reservas de nióbio. A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda por lítio vai mais que triplicar até 2040, puxada por veículos elétricos, baterias e energias renováveis, e alerta que o refino desses minerais está concentrado em poucos países.

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É uma janela de oportunidade, mas riqueza natural não basta. O Brasil ainda produz uma parcela mínima das terras raras que o mundo consome, e a história mostra o risco de exportar matéria-prima e importar tecnologia. Transformar potencial em desenvolvimento exige políticas públicas de Estado: regras claras para a mineração, licenciamento ambiental rigoroso e ágil, incentivo ao beneficiamento e à indústria nacional, investimento em ciência e qualificação.

Exige também responsabilidade fiscal na gestão dessas riquezas, com transparência, retorno às regiões produtoras e visão de longo prazo, para que a bonança de um ciclo não se esgote sem deixar legado.

O caminho está no equilíbrio entre crescer e preservar. O Brasil já mostrou que essa equação é possível. Dados do Inpe indicam que o desmatamento na Amazônia caiu ao menor nível da série histórica, iniciada em 1988, enquanto a produção no campo continuou a crescer. Esse é o diferencial que o mundo valoriza e que nenhum concorrente copia com facilidade: uma economia que se expande sem destruir a base natural que a sustenta.

Preservar deixou de ser custo e passou a ser condição para acessar mercados, atrair capital e garantir competitividade. O futuro da economia global vai passar pelo Brasil. Ocupar esse espaço com planejamento, responsabilidade e sustentabilidade é a tarefa da nossa geração.

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