História
Construtores de AL – CLIII
O imortal da Academia Brasileira de Letras e ex-presidente do Brasil José Sarney, ao escrever a orelha do livro Zé Limeira, poeta do absurdo, de Orlando Tejo, diz com muita propriedade: “O poeta nasce, não pode ser feito. E, por isso, devem-se ignorar aqueles sem a mínima vocação literária”. Nesse sentido, trago à tona o vate Cláudio Antônio Jucá Santos, fundador da Academia Maceioense de Letras.
Filho do escritor Aristeu Santos, neto do poeta Cipriano Jucá e pai da advogada Eliane Maria Jucá Albuquerque. Escreveu João José Santos: “Ler Jucá Santos é compartilhar da felicidade alcandoirada de poeta”. Do inspirado poeta, brotaram os livros: Gogó da Ema (1952), Brasil (1960) e Caderno Literário (1963). Afora isso, escreveu dezenas de artigos nos jornais Gazeta de Alagoas e nos extintos Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Poemas consagrados no seu tempo, lidos e apreciados pelos maceioenses.
Convivi com Jucá Santos durante décadas. Amável, companheiro de lides jornalísticas. E, por que não dizer, católico durante toda a sua vida. Merecedor, portanto, dessa homenagem que escrevo na Gazeta de Alagoas e intitulo Construtores de Alagoas.
Destaco o poema A noite está chegando...:
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“A noite está chegando...
Em pleno dia para turvar meus olhos de poeta.
Já não posso seguir em linha reta
e tudo o que me cerca me angustia.
A noite está chegando... e essa agonia
que eu sinto me tortura e me inquieta.
Uma tristeza enorme se projeta
e dentro em mim só há melancolia.
A noite está chegando e só tristeza
é o que eu vejo na própria natureza...
e nessa angustiante escuridão
só vejo sombras em redor de mim.
Meu Deus, meu Deus! Por que fiquei assim,
na mais cruel e triste solidão!”
Desse jeito, consagrou-se em concursos literários.
Dir-se-ia que Jucá Santos fez jus aos méritos recebidos. Incapaz de fazer inimizades. Sempre companheiro, amigo, devotado àquilo que deixou: marcas indeléveis que a poeira do tempo não conseguiu apagar. “Meu Senhor e meu Deus, apiedai-vos de sua boa alma.”