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Ciência de verdade e as fake news

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Todos os dias, diversas descobertas científicas apresentam informações importantes sobre muitas áreas da ciência. São novas informações sobre o universo, sobre física, química, sobre a história geológica do nosso planeta ou sobre a evolução da vida, entre muitas outras áreas. Embora sejam impressionantes, acabam chamando muito menos atenção nas redes sociais do que histórias fantasiosas sobre cidades perdidas, como Ratanabá, ou sobre a presença de aliens e outros temas de origem duvidosa. Neste texto, vou falar sobre ciência e fake news e o quanto esse tema precisa ser debatido.

Ratanabá, conforme a Dakila Pesquisas, mesma instituição que afirmou a presença do “ET Bilu”, seria uma cidade perdida que existia em Mato Grosso, relacionada à civilização de Muril. Para eles, “a civilização dos Muril foi a primeira que chegou à Terra há 600 milhões de anos. Os Muril ficaram aqui até um pouco antes da elevação dos Andes, por volta de 450 milhões de anos atrás”. O problema é que a defesa dessa pseudoteoria vai contra tudo o que a ciência defende. Há 600 milhões de anos, nosso planeta era muito diferente do atual. As formas de vida ainda eram muito primitivas e nem sequer haviam passado pelo grande evento de diversificação que marca o início do período Cambriano, há 542 milhões de anos. Não existiam peixes ou outros vertebrados, tampouco plantas nos continentes. Dizer que Ratanabá existiu é negar também que ocorram mudanças no relevo pelos processos de erosão que moldam a geomorfologia. Também é negar a teoria da evolução e a tectônica de placas. Ou seja, considerando tudo o que a ciência conhece, é impossível Ratanabá ter existido. Mas, afinal, o que são as linhas da pseudocidade perdida? São resultados da evolução do relevo, condicionados por estruturas geológicas, algo comum no nosso planeta.

Enquanto a cidade perdida que nunca existiu atrai muita atenção nas redes sociais, eventos e locais importantes de Mato Grosso e do Brasil permanecem pouco conhecidos, como é o caso do Sítio Santa Elina, localizado na divisa de Jangada com Rosário Oeste, que mostra a presença humana na região há 27 mil anos, época em que os homens pré-históricos conviviam com grandes animais já extintos, como as preguiças gigantes.

Esse sítio, já muito estudado e devidamente documentado, mostra que o homem já estava no centro da América do Sul muito antes do que se pensava anteriormente e demonstra que a colonização da América do Sul ocorreu bem antes dos 12 mil anos, que era a idade estipulada anteriormente. Sítios como o Santa Elina possuem relevância mundial, mas chamam pouca atenção nas redes sociais.

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Outro exemplo fantástico são os mais de 20 mil geoglifos no sudoeste da Amazônia, que foram relatados em um trabalho publicado na prestigiada revista Nature. Essa descoberta evidencia uma civilização pré-colonial construtora de monumentos, que vivia na região entre 100 e 300 d.C., com uma população total estimada entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas.

Talvez pareça mais atrativo pensar em cidades perdidas, aliens e outros temas abordados com frequência na pseudociência. Porém, estudar e reconhecer o passado do planeta e da nossa civilização também é algo sensacional. E o melhor: esse conhecimento é construído com fatos, perguntas e respostas reais. Por isso, precisamos sempre defender a ciência, a divulgação científica e o processo contínuo de desenvolvimento de novas pesquisas para a construção de novas descobertas. Isso, sim, é transformador e interessante.

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