Editorial
Apagão docente
A queda no número de professores jovens, revelada em estudo do Instituto Semesp, expõe um problema que vai além da simples reposição de mão de obra. Entre 2015 e 2025, o contingente de docentes do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto o de profissionais com 60 anos ou mais aumentou 104,5%. No mesmo período, os contratos temporários na rede pública cresceram 40,4%, ao passo que o número de professores concursados, efetivos ou estáveis diminuiu.
O cenário revela a perda de atratividade da carreira docente. Remuneração pouco competitiva, perspectivas limitadas de progressão, vínculos precários e condições de trabalho desgastantes ajudam a explicar por que a profissão tem dificuldade para conquistar uma nova geração.
Enfrentar o problema exige mais do que formar novos licenciados. É preciso valorizar a carreira, ampliar concursos e reduzir a dependência de contratos temporários, assegurar planos de carreira e melhorar as condições de trabalho nas escolas. Sem essas medidas, o envelhecimento do magistério tende a se aprofundar e a capacidade de renovação da rede ficará cada vez mais comprometida.
A projeção do Semesp de que, em 2040, haverá apenas um professor de até 24 anos para cada seis com 60 anos ou mais deveria ser tratada como um alerta para governos e sociedade.
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