Editorial
Convergência
A inflação brasileira começa a dar sinais mais favoráveis, mas ainda não permite baixar a guarda. A revisão da projeção do IPCA de 5% para 4,6% em 2026, após a deflação acima do esperado registrada pelo IPCA-15, indica que os preços podem se aproximar do teto da meta. É uma melhora relevante, mas insuficiente para considerar o problema resolvido: a meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância que vai até 4,5%.
O cenário, além disso, permanece sujeito a riscos. A possível pressão sobre os preços das commodities, os efeitos do El Niño sobre a produção agrícola e a logística, as oscilações do petróleo e as incertezas no câmbio podem interromper a trajetória de desinflação. O comportamento do IGP-M reforça essa cautela: embora tenha registrado a segunda deflação consecutiva em agosto, os preços das matérias-primas brutas voltaram a subir, sinalizando possível pressão futura sobre os alimentos.
Nesse ambiente, a política de juros continuará sendo decisiva. A melhora dos índices de preços abre espaço, adiante, para uma redução da taxa Selic, mas o Banco Central precisa evitar uma flexibilização prematura que reacenda as pressões inflacionárias. A prioridade deve ser consolidar a convergência da inflação para a meta, e não apenas mantê-la abaixo do teto de tolerância.