Editorial
Meta necessária
O saneamento básico brasileiro finalmente começa a deixar para trás décadas de atraso. Seis anos após a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, os resultados já mostram que a combinação de segurança jurídica, metas contratuais e maior participação privada foi capaz de impulsionar os investimentos. Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, com R$ 227,5 bilhões em investimentos contratados.
O avanço, porém, não permite acomodação. O maior gargalo continua sendo o esgotamento sanitário: apenas 51,8% do volume de esgoto gerado no País foi tratado em 2024. Enquanto 780 municípios já universalizaram o acesso à água, apenas 321 alcançaram a universalização do esgoto.
O desafio é ainda maior nos municípios pequenos e pobres, muitos deles sem planos de saneamento ou capacidade financeira para realizar os investimentos necessários. É justamente nesses lugares que a ação coordenada da União, dos estados e dos municípios se torna indispensável.
A meta estabelecida pelo marco legal – 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033 – é ambiciosa, mas necessária. O Brasil não pode transformar o saneamento em uma promessa permanentemente adiada. Os investimentos precisam continuar crescendo, e os recursos públicos devem ser direcionados para onde o mercado, sozinho, não chega.
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