Editorial
Círculo vicioso
O percentual de famílias brasileiras endividadas voltou a crescer e alcançou 82% em julho de 2026, novo recorde, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgados nessa quinta-feira (6). Mesmo com o desemprego em níveis historicamente baixos e a renda crescendo acima da inflação, o percentual de brasileiros com dívidas continua aumentando. O cenário demonstra que o problema deixou de estar apenas na geração de renda e passou a refletir, sobretudo, o elevado custo do crédito.
Os dados indicam que programas de renegociação, como o Desenrola Brasil, ajudam a reduzir a inadimplência e oferecem alívio momentâneo ao orçamento doméstico. No entanto, esse espaço financeiro tem sido rapidamente ocupado por novas dívidas, num ciclo que evidencia a dificuldade das famílias em equilibrar suas contas diante de juros elevados.
O predomínio do cartão de crédito como principal fonte de endividamento reforça esse diagnóstico. Sem condições de acessar modalidades mais baratas, milhões de consumidores recorrem ao crédito mais caro do mercado, comprometendo parcela cada vez maior da renda.
Romper esse círculo vicioso exige mais do que renegociar débitos: passa pela redução do custo do crédito, pela ampliação da educação financeira e por políticas que fortaleçam a capacidade de consumo sem transformar o endividamento em regra permanente.
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