COMPORTAMENTO
A primeira impressão ainda importa, e muito
A primeira impressão ainda importa, e muito
Tania Rauber - mentora em Comunicação e Oratória
Sete segundos. Durante décadas, esse foi o tempo médio necessário para que alguém começasse a formar uma opinião sobre você. Em outras palavras, era o intervalo suficiente para causar uma boa impressão. Isso antes de os algoritmos, os perfis e os feeds transformarem a forma como consumimos informação, nos relacionamos e construímos conexões. Agora, com o digital cada vez mais presente em nossas vidas, esse prazo foi reduzido para até três segundos. Uma diminuição superior à metade, enquanto o desafio mais que duplicou.
Na internet, a disputa pela atenção é infinitamente maior. São milhares de estímulos competindo simultaneamente por alguns instantes do nosso olhar. Vídeos, fotos, anúncios, notificações e mensagens transformaram a atenção em um dos ativos mais valiosos da atualidade.
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Antes mesmo de uma conversa presencial, somos apresentados ao mundo por meio de uma foto de perfil, de uma publicação nas redes sociais, de um vídeo, de uma reunião on-line ou de uma participação em um podcast. Em segundos, as pessoas formam percepções sobre quem somos e sobre o valor que podemos oferecer.
Engana-se quem acredita que isso está relacionado apenas à aparência. No ambiente digital, causar uma boa impressão depende de uma combinação de fatores: clareza na comunicação, autenticidade, postura, linguagem corporal, consistência e, sobretudo, a capacidade de criar conexões fazem toda a diferença.
Nesse contexto, a oratória deixa de ser apenas uma habilidade desejável para se tornar uma ferramenta estratégica. Saber organizar ideias, transmitir segurança e estabelecer conexões genuínas são competências capazes de transformar conhecimento em influência.
Não é raro encontrar profissionais altamente qualificados, com anos de experiência e profundo domínio técnico, que ainda enfrentam dificuldades para comunicar o próprio valor. Na prática, a percepção sobre quem somos começa antes mesmo da primeira palavra. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, não basta ser competente. É preciso tornar essa competência visível.
Isso não significa criar personagens ou buscar uma perfeição impossível. Pelo contrário, autenticidade e preparo caminham juntos.
Porque, antes de confiar no que fazemos, as pessoas precisam confiar em quem somos. E essa relação é construída pela coerência entre aquilo que mostramos, o discurso que sustentamos e a experiência que entregamos.
No ambiente digital, personagens dificilmente se sustentam. A verdadeira autoridade nasce do alinhamento entre imagem, comunicação e propósito. Mais do que chamar atenção, é preciso construir credibilidade.
A primeira impressão abre portas. A coerência constrói confiança. E é dessa combinação que nasce a verdadeira autoridade. Por isso, hoje, mais do que nunca, a primeira impressão ainda importa. E muito.