Editorial
Progresso consistente
Dados divulgados ontem pelas Nações Unidas mostram que, entre 2023 e 2025, 16,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de insegurança alimentar severa, enquanto a proporção da população em risco de subalimentação permaneceu abaixo do limite estabelecido pela FAO para a inclusão no Mapa da Fome. Também houve redução no percentual de pessoas sem condições de custear uma alimentação saudável.
Os avanços refletem a combinação de crescimento econômico, geração de emprego, valorização da renda e fortalecimento das políticas públicas de proteção social. Entretanto, o próprio relatório mostra que ainda há um longo caminho a percorrer. Mais de um quinto dos brasileiros continua sem condições de arcar com uma dieta saudável, evidenciando que sair do Mapa da Fome não significa eliminar a pobreza nem assegurar segurança alimentar plena.
Cabe, portanto, transformar esse resultado em uma política permanente de Estado, capaz de resistir às mudanças de governo e aos ciclos econômicos. Combater a fome não deve ser tratado como uma bandeira partidária, mas como um compromisso nacional. O verdadeiro sucesso será alcançado quando o acesso à alimentação de qualidade deixar de ser um indicador estatístico para se tornar uma realidade cotidiana para todos os brasileiros.