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ANÁLISE

Formação econômica do futebol brasileiro

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O Brasil é o país que mais exporta jogadores de futebol no mundo, segundo dados do International Centre for Sports Studies. Atualmente, 1.455 brasileiros atuam no exterior, distribuídos por 135 ligas estrangeiras.

Exportar jogadores não é um problema. Ao contrário, é um sinal da qualidade dos nossos atletas. O problema começa quando a demanda externa passa a ditar a formação dos jogadores.

É o que ensina a história da formação econômica do Brasil. Durante séculos, a produção esteve subordinada à demanda externa — primeiro do açúcar, depois do ouro e, mais tarde, do café —, enquanto faltavam no mercado interno produtos essenciais, como mandioca e feijão.

No futebol, estamos nos tornando uma monocultura de exportação, especializada em revelar e vender precocemente atacantes que atuam pelos lados do campo.

Isso decorre da transformação tática ocorrida na última década. Assistimos à transição do tradicional 4-4-2 para um modelo de maior amplitude e transições rápidas, o 4-2-3-1, caracterizado pelos pontas, que dão profundidade ao ataque, driblam no um contra um e ainda recuam para marcar os laterais adversários.

A demanda por pontas explodiu, e o Brasil possuía uma vantagem competitiva para atendê-la. Sempre valorizamos a condução de bola, as jogadas rápidas e o drible, características de um futebol que, historicamente, revelou atletas com esse perfil.

Os olheiros estrangeiros passaram a buscar pontas no Brasil, enquanto os treinadores das categorias de base passaram a transformar qualquer garoto rápido e habilidoso em ponta. Demanda de um lado, oferta do outro.

Hulk, Taison, Coutinho, Lucas Moura, Bernard, Cebolinha, Vini Jr., Rodrygo, Martinelli, Savinho, Luiz Henrique, Rayan, entre tantos outros. Como a outra face da mesma moeda, observa-se escassez em quase todas as demais posições, sobretudo entre laterais, meias e centroavantes.

Não é coincidência que alguns dos melhores laterais (Varela e Piquerez), meias (Arrascaeta e De La Cruz) e centroavantes (Flaco López e Depay) do futebol brasileiro sejam estrangeiros. Assim como ocorria no período colonial, aquilo que não se produz precisa ser importado.

Isso também ajuda a explicar a formação tática da Seleção Brasileira. Sem volantes e meias com as características necessárias, faz menos sentido apostar em um modelo baseado na posse de bola, como fazem seleções como Marrocos e Noruega. O ponto forte brasileiro está nos pontas; por isso, faz sentido recuperar a bola e acelerar as transições ofensivas, como tentou fazer Carlo Ancelotti.

Para reverter esse quadro, a economia ensina que a produção só se diversifica quando o mercado interno ganha escala e cria sua própria demanda. Os clubes brasileiros precisam adquirir força suficiente para competir com o mercado externo. Não se trata de superar propostas de clubes como Real Madrid ou PSG, mas de reduzir a atratividade de mercados menores, como o português, que hoje influenciam o perfil da formação dos nossos atletas.

Um jovem precisa saber que pode construir uma carreira sólida e financeiramente atrativa como lateral no Brasil, por exemplo, sem precisar tornar-se ponta para despertar o interesse do mercado internacional. O caminho é aquele que temos defendido em colunas anteriores: fortalecimento das SAFs, criação de uma liga de clubes, modernização da CBF e implantação do fair play financeiro. Estamos convencidos disso?

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