Editorial
Paz frágil
A nova escalada entre os Estados Unidos e o Irã demonstra que o cessar-fogo firmado há poucas semanas era mais uma pausa estratégica do que um caminho consistente para a paz. A retomada dos ataques reforça a percepção de que o Oriente Médio entrou em uma dinâmica de confrontos intermitentes, em que períodos de trégua servem para reorganização militar antes de novas ofensivas. A estabilidade regional, mais uma vez, fica em segundo plano.
A disputa pelo controle e pela influência sobre o Estreito de Ormuz permanece no centro dessa crise. Por ali passa uma parcela significativa do petróleo e de outros insumos estratégicos comercializados no mundo.
Para o Brasil, os efeitos são ambíguos. A valorização do petróleo pode favorecer as receitas do setor petrolífero, mas o encarecimento do diesel pressiona os custos do transporte, alimenta a inflação e afeta diretamente o agronegócio, altamente dependente da importação de fertilizantes provenientes da região do Golfo.
O episódio reforça que conflitos geopolíticos deixaram de produzir impactos restritos às fronteiras dos países envolvidos. Enquanto prevalecer a lógica da força sobre a da negociação, o custo da instabilidade continuará sendo compartilhado muito além do Oriente Médio.