Editorial
Sinal de resistência
Os números do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgados ontem trazem uma notícia positiva para o País: a economia brasileira continua crescendo. Embora o avanço de 0,5% em abril tenha ficado abaixo de algumas projeções do mercado, o resultado confirma a resiliência da atividade econômica em um cenário marcado por juros elevados e incertezas internacionais.
O desempenho demonstra que emprego, renda e consumo seguem sustentando o crescimento, ainda que em ritmo mais moderado. A desaceleração era esperada diante do longo período de política monetária restritiva. O problema é que fatores externos passaram a limitar ainda mais a capacidade de reação da economia. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã reacendeu pressões inflacionárias globais e reduziu o espaço para cortes mais significativos das taxas de juros.
Nesse contexto, o crescimento registrado em abril deve ser visto como um sinal de resistência, não de euforia. O Brasil mantém sua capacidade de expansão, mas enfrenta um ambiente internacional adverso e perspectivas que exigem cautela. O desafio dos próximos meses será preservar a atividade econômica sem comprometer o controle da inflação, tarefa que dependerá tanto das decisões do Banco Central quanto da evolução do cenário externo.