Editorial
Lições
Seis anos após o início da pandemia do coronavírus, o Brasil ainda convive com as marcas de uma tragédia que ultrapassou a dimensão sanitária e se transformou em um dos maiores desafios humanitários da história recente. A sanção da lei que institui o 12 de março como Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 representa mais do que um gesto simbólico: é um reconhecimento da dor de milhares de famílias e da necessidade de preservar a memória coletiva sobre um período que mudou o País e o mundo.
A pandemia deixou lições profundas. Expôs a importância da ciência, da vacinação, do fortalecimento dos sistemas públicos de saúde e da cooperação internacional diante de crises globais.
No Brasil, onde mais de 716 mil vidas foram perdidas, a Covid-19 evidenciou tanto a capacidade de resposta de profissionais de saúde e instituições científicas quanto os custos humanos da polarização política em torno de medidas sanitárias. Em escala mundial, a crise reforçou que nenhum país está preparado para enfrentar sozinho ameaças globais dessa magnitude.
Transformar o 12 de março em um dia nacional de memória é, portanto, um convite à reflexão permanente. Lembrar as vítimas não significa apenas olhar para o passado, mas reconhecer a responsabilidade de construir sociedades mais preparadas, solidárias e comprometidas com a vida diante das crises que ainda virão.