Editorial
Avanço contido
O avanço de 0,6% do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em fevereiro reforça que a economia brasileira segue em expansão, ainda que em ritmo mais contido. O dado, considerado uma prévia do PIB, indica que há dinamismo, especialmente impulsionado pela indústria, mas também evidencia sinais claros de desaceleração em relação aos anos recentes.
O crescimento no trimestre e o resultado acumulado em 12 meses mostram uma economia resiliente, sustentada por diferentes setores. No entanto, a comparação anual negativa e a perda de fôlego frente a 2024 e 2025 sugerem um ciclo menos vigoroso. A combinação de juros elevados, incertezas externas e custos mais altos, agravados por tensões internacionais, tende a limitar uma expansão mais robusta.
Nesse contexto, o desafio não é apenas crescer, mas sustentar o crescimento. O IBC-Br também cumpre papel estratégico ao orientar decisões de política monetária, especialmente em um cenário de Selic elevada. A calibragem entre controle da inflação e estímulo à atividade será decisiva para evitar que a desaceleração se transforme em estagnação.
O Brasil entra em uma fase de transição: ainda cresce, mas com menor impulso. A qualidade desse crescimento e a capacidade de mantê-lo serão o verdadeiro teste para a economia nos próximos meses.