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Entre barracas e horizontes

A beleza que nasce da tempestade

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Entre palavras e silêncios, aplausos e reflexões, vivi recentemente dias que ainda ecoam em mim, pois, ao lado da delegação da Academia Alagoana de Letras, participei da 5ª edição da FliPenedo, encontro em que a cultura se ergueu como um sopro de encantamento.

Entre um evento e outro, permiti-me um desvio. Caminhei sem roteiro até a feira livre, pulsante, viva, humana. Ali, onde a literatura cede espaço ao cotidiano, encontrei uma narrativa ainda mais genuína: a do povo em sua essência.

Foi então que o céu decidiu intervir: uma chuva intensa caiu repentinamente, obrigando feirantes e visitantes a buscarem abrigos improvisados. E, como que obedecendo a um roteiro invisível, surgiu no horizonte um arco-íris majestoso e sereno, desenhado exatamente sobre o leito do Rio São Francisco, que seguia seu curso, indiferente ao alvoroço das margens.

Naquele instante, enquanto observava o vai e vem das pessoas, percebi algo que ultrapassava a simples contemplação estética. Havia ali uma profunda semelhança entre o arco-íris e o ser humano.

Assim como o arco-íris nasce do encontro entre a luz e a tempestade, também nós somos forjados nos contrastes da existência. Cada indivíduo carrega suas próprias cores — alegrias, dores, esperanças, lutas — compondo, coletivamente, um mosaico tão complexo quanto belo. Isoladas, essas cores poderiam parecer dispersas; juntas, revelam um espetáculo de humanidade.

O arco-íris não interrompe o curso do rio, assim como a beleza da vida não impede o fluxo inexorável do tempo. O São Francisco seguia soberano, lembrando que tudo passa, inclusive a chuva. Ainda assim, naquele breve intervalo entre a tempestade e a calmaria, a beleza se fez presente — intensa e suficiente.

Percebi, então, que o ser humano, tal qual o arco-íris, não precisa ser permanente para ser significativo. Sua grandeza está justamente na capacidade de surgir, mesmo após as tempestades, carregando em si a síntese de tudo o que viveu.

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