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Hélio Lopes

A distinção de servir

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Torno, com alegria, pra Festa Literária de Penedo (justo em meio às comemorações do 390º ano dês a elevação da cidade a vila).

Da sacada do tradicional Hotel São Francisco, lanço-me em panorâmica: eis o Velho Chico; a margem sergipana do rio; a Associação Comercial (estilo “art déco” quase “dark gothamita”); o Museu Paço Imperial; as igrejas de Nossa Senhora da Corrente e de São Gonçalo Garcia; os Correios; o Mercado Público; o Theatro Sete de Setembro.

Pro por um triz sesquicentenário templo das artes dramáticas, ao cair do sol, Mayra, Maria Julia e eu declivamos.

Nesta V FliPenedo lançaria mais um livro.

Quando criança (até pré-adolescente), meu pai, colega do protagonista, costumou visitá-lo na setecentista Santa Casa de Misericórdia de Penedo, senão na Rádio Penedo 97,3.

Naqueles dias ainda enfrentávamos, o velho e esse dele primogênito, as britas, ao partirmos de Igreja Nova, terra dos Borges, meus ascendentes maternos.

Só maduro, porém, tomara ciência: aquele septuagenário, elegante na postura e na fidalguia, tratava-se do médico humanista, gestor hospitalar, secretário de Estado, parlamentar liberal-democrático e prefeito da a si tão cara terra natal: Hélio Nogueira Lopes (1922-2020).

O destino... Dois decênios depois, juntos estaríamos outra vez.

Sim: fui entrevistá-lo em seu apartamento, no edifício São Francisco, bairro maceioense do Farol. Era 2015. O fito? Escrever, então, a história das 17 décadas da Santa Casa de Misericórdia de Maceió.

Contava 93 incompletos. Lúcido, memória espetacular, presenteou-me, generosíssimo, com fotografias originais de sua época estudantil no Recife e na inda Capital Federal dos anos 40 e 50. Algumas dessas imagens figuram agora no rico álbum desse novo título ensaístico.

Após o ápice pandêmico, apresentamos a proposta da publicação ao hoje chefe municipal penedense, o caro amigo engenheiro civil e empresário Ronaldo Pereira Lopes, rebento de HL, o qual, junto dos três filhos, abraçou o projeto. (De antemão, a eles, o nosso reconhecimento maior).

Agradecimentos outros (imprescindíveis deles igualmente) daqui vão: pros netos de doutor Hélio, Gustavo e Guilherme (este, cuja visão histórico-social teve a feliz ideia de gravar vídeos testemunhais do avô paterno); à primogênita Claudia (descobridora da rica correspondência dos pais Hélio e Maria, bem assim cuidadosa leitora do texto); também aos nossos depoentes todos (máxime: jornalista Martha Mártyres; jurista Carlos Méro; médicos Carlos Luna, Emílio Silva e Milton Hênio); além desses, Fundação Casa do Penedo; e, enfim, Núcleo Zero (nas pessoas dos irmãos Weber e Werner Salles Bagetti).

Guimarães Rosa, cujos “Sagarana” (1946), “Corpo de baile” (1956) e a obra-prima “Grande Sertão: Veredas” (1956) inteiram, neste 2026, aniversários de rombo, fixa num dos autoprefácios daquele “opus ultimum” “Tutaméia: terceiras estórias” (1967): “O livro pode valer pelo muito que nêle não deveu caber”.

Sob ar professoral, interpreto o aforisma rosiano: (1) nem tudo conseguimos incluir numa ensaística; (2) cada leitor ajuntará parte crítico-enriquecedora do próprio juízo; mas, (3) em especial, não raro, nós biógrafos precisamos deletar (via vontade autoral; caso contrário, familiar) passagens ruborizantes ou desabonadoras.

Ora, desta ce(n)sura despadecem as páginas da presente obra.

Por quê? Pois, nela, o personagem central (tanto ínclito quanto íntegro) revela-se inteiriço, pela distinção nas posturas física e ética, porquanto se houve homem completo nos planos pessoal e público. Um sábio socrático. Cidadão-patrimônio, ele, cuja vocação mor foi, afinal: o altruísmo.

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