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Incertezas

Guerra do Irã, um impasse

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Quando as primeiras repercussões para a economia global começaram a aparecer, inicialmente sob a forma de elevação dos preços do petróleo e derivados e suas manifestações no mercado, sob a forma de inflação, o professor de História do Oriente Médio da California State University, o iraniano Afshin Matin-Asgari, lançou o livro “Axis of Empire: A History of Iran-US Relations” (Eixo do Império: Uma História das Relações Irã-Estados Unidos).

Afshin participou da Revolução Islâmica do Irã (1979), que depôs o xá Reza Pahlavi e levou os aiatolás ao poder. Depois, discordou de seus rumos radicais e exilou-se nos EUA. Desde então, tornou-se crítico do regime. Afshin alerta que “o conflito no Irã pode ser a primeira grande derrota da ‘Doutrina Monroe’ e inibir novas ‘aventuras imperialistas’ do presidente Donald Trump no mundo”. A República Islâmica pode ser capaz de se defender e não ser derrubada pela maior superpotência, aliada a Israel, a máquina militar mais eficiente da região.

Trump manifestou a expectativa de que o conflito no Irã tivesse um desfecho parecido com a intervenção na Venezuela, onde Delcy Rodríguez, flexível às demandas americanas, tomou o lugar de Nicolás Maduro. Ele também pensou no sírio Ahmed al-Sharaa, que assumiu após a queda de Bashar al-Assad e se aproximou dos EUA.

O iraniano acha que é muito difícil prever como vai evoluir o conflito, mas ficou claro que não será como na Venezuela. Não vai ser fácil. Mataram o líder supremo do regime, mas isso não pareceu mudar nada. O lado iraniano estava preparado para continuar mesmo com a liderança dizimada. Eles têm uma estratégia para aumentar o custo da guerra, interromper o fluxo de petróleo e infligir danos aos EUA e a seus aliados do Golfo Pérsico, a ponto de forçar os EUA a ceder e sair.

Há resistência no Congresso, e a maioria do público americano é contra a guerra. Isso pode conter Trump. Ele pode estar à procura de uma estratégia de saída, mas não parece ainda ter uma.

Sobre os objetivos de Israel e dos EUA para essa guerra serem diferentes, Afshin afirma que o manual de Israel é bombardear quem quer que seja o alvo. Agora é o Líbano e o Irã; já foram Gaza e a Síria. Eles não se importam com o dano que infligem e não têm que lidar com as consequências caóticas. Mas, se os EUA se retirarem, não está claro quais objetivos Israel pode alcançar. Se Trump for pressionado a parar, ele não acha provável que Israel continue sozinho. Mesmo os dois juntos não podem derrubar o regime apenas com bombardeios — podem, no máximo, enfraquecê-lo.

No Irã, tem existido luta e resistência interna contra o regime dos aiatolás, com organizações da sociedade civil, sindicatos e estudantes. As mulheres iranianas conseguiram algumas vitórias, como, na prática, reverter os códigos de vestimenta. Há uma grande pressão de baixo para cima no Irã, e o regime não pode se manter apenas à base de repressão e violência contra manifestantes.

O futuro imediato é incerto.

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