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    Editorial

    Resistência

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    A descoberta da pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, que identificou o potencial terapêutico da Polilaminina no tratamento de lesões medulares, é motivo de celebração nacional. Trata-se de um avanço que pode oferecer novas perspectivas de reabilitação a milhares de pacientes. No entanto, por trás da conquista científica, emerge uma realidade incômoda: no Brasil, inovar ainda é um ato de resistência.

    O feito ocorreu em meio a restrições orçamentárias, entraves burocráticos e infraestrutura aquém das necessidades. O caso simboliza a capacidade técnica e a resiliência do pesquisador brasileiro, que frequentemente produz ciência de ponta apesar das condições adversas.

    Investimento em pesquisa e desenvolvimento não é despesa corrente, é política de Estado. Países que compreenderam essa lógica ampliaram sua competitividade internacional e garantiram soberania tecnológica. No Brasil, contudo, a ciência está sujeita a contingenciamentos que fragilizam laboratórios, interrompem projetos e estimulam a evasão de cérebros.

    O caso de Tatiana Sampaio expõe um paradoxo: temos capital humano qualificado, mas carecemos de um ambiente institucional que transforme potencial em política permanente. O País precisa abandonar a lógica da sobrevivência científica e adotar a da excelência sustentada.

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