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Festa

Do carnaval e da Quaresma

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No ano 606, o papa Gregório I ordenou que, durante um determinado período, os fiéis deixassem de lado as satisfações, a vidinha cotidiana de pecados e os prazeres do corpo, dedicando-se ao enriquecimento do espírito. O período de abdicação, chamado Quaresma, duraria 40 dias — lembrando os 40 dias de jejum e privações passados por Jesus no deserto. Séculos depois, mais precisamente no ano de 1901, a Igreja resolveu precisar a data da Quaresma.

Como havia o costume de marcar a testa dos fiéis com as cinzas de uma fogueira, em sinal de penitência, deu-se o nome de Quarta-feira de Cinzas ao início do período de abandono dos prazeres, o começo das penitências, que se encerra 40 dias depois, no Domingo de Páscoa.

Ora, a perspectiva de ficar 40 dias sem comer carne e gorduras — visto que, durante a Quaresma, os fiéis deveriam comer apenas peixe — fez com que a sociedade católica se organizasse para aproveitar ao máximo os últimos dias de prazeres antes de dar o “adeus à carne” — ou, em italiano, carnevale. Ao criar a Quaresma, a Igreja Católica instituiu, indiretamente, o carnaval.

O carnaval hoje é de todos, mas sua história mostra que chegou ao Brasil com os portugueses, na forma do Entrudo, que foi muito perseguido pelas autoridades por sua principal característica: a melação com bexigas que continham vários tipos de líquidos, dos mais inocentes, como água borrifada com limão, à urina; além do Zé Pereira, cordões, ranchos e sociedades.

A repressão ao Entrudo impulsionou as camadas populares a se organizarem a fim de obter licença da polícia para desfilar e fez com que surgissem os cordões carnavalescos. Os cordões mobilizavam a comunidade para confeccionar estandartes luxuosos e despendiam razoáveis somas de dinheiro para apresentá-los à sociedade, em concurso organizado pelo Jornal do Brasil. Podemos dizer que vem de longe a organização das comunidades que hoje sediam as escolas de samba, blocos e maracatus, trabalhando para seu êxito.

Quem tem mais de 60 anos lembra do corso em Maceió: ele ia da Praça dos Martírios até a Avenida da Paz. No trajeto dos automóveis, geralmente na Rua do Comércio, em cima de um palanque, ficavam duas orquestras tocando frevo e marchinhas. O aparecimento do corso está intimamente ligado a mudanças ocorridas no Rio de Janeiro em 1907.

As sociedades surgiram em 1855, pelas mãos do escritor José de Alencar. Compostas por comerciantes, profissionais liberais, banqueiros e fazendeiros, eram verdadeiros clubes nos quais se bebia, jogava-se cartas e discutia-se muita política.

O carnaval atual herdou das sociedades as escolas de samba e os blocos. Em Maceió, temos o Pinto da Madrugada como o maior bloco do estado e que, no sábado passado, fez um grande desfile, mais uma vez sem nenhum episódio de violência. Muitos foliões vão para Recife brincar no Galo, em Olinda e no Recife Antigo. Outros vão para Salvador e outros, ainda, para as praias. No domingo de carnaval, tem o Nega Fulô, de Carlito Lima.

Bom carnaval para todos.

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