Editorial
Novo ciclo

O superávit de US$ 4,3 bilhões registrado pela balança comercial brasileira em janeiro reforça que o setor externo segue em situação positiva, mas já dá sinais claros de transição para um ciclo de menor folga. O resultado, o segundo melhor para meses de janeiro na série histórica, foi consequência da retração expressiva das importações, que recuaram quase 10%, refletindo ajuste de estoques e moderação da demanda interna.
Do lado das exportações, o desempenho foi desigual. A agropecuária voltou a sustentar o saldo, amparada por soja, milho e carnes, enquanto a indústria extrativa sentiu o impacto da queda nas vendas de petróleo bruto e minério de ferro.
Houve avanço expressivo das vendas para China, Índia e países do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que se observaram quedas significativas em mercados tradicionais, como Estados Unidos, Argentina e países europeus. As perspectivas apontam para um superávit ainda elevado em 2026, com projeções entre US$ 66 bilhões e US$ 74 bilhões, segundo estimativas de mercado.
A balança comercial continuará exercendo papel central no equilíbrio externo do País, mas com uma margem de segurança menor do que a observada nos anos recentes, exigindo atenção redobrada à competitividade e à diversificação da pauta exportadora.
