Editorial
Articulação e negociação

Articulação e negociação
A mensagem ao Congresso apresentada ontem pelo Presidente Lula destaca as conquistas do governo, como os indicadores recordes de crescimento, emprego, renda, controle inflacionário e redução da pobreza. Ao fazer isso, o Planalto tenta moldar o debate público de 2026 a partir da ideia de estabilidade econômica com inclusão social.
Esse pano de fundo fortalece o governo para enfrentar um ano decisivo no Legislativo, com pautas voltadas para a defesa do acordo Mercosul–União Europeia, o endurecimento do combate ao crime organizado e a ampliação de programas sociais.
Ao mesmo tempo, temas sensíveis como o fim da escala 6x1, a regulação do trabalho por aplicativos e a PEC da Segurança Pública prometem tensionar a relação entre Executivo, Congresso e setores econômicos, exigindo capacidade de articulação e negociação.
As falas do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, funcionam como um contraponto institucional relevante. Ao defender paz, maturidade e respeito entre os Poderes, sem abrir mão das prerrogativas parlamentares, o Legislativo sinaliza que 2026 não será um ano de alinhamento automático.
Em um cenário eleitoral, o desafio central da política brasileira será transformar números positivos e discursos conciliadores em consensos capazes de sustentar governabilidade.
