SAÚDE
Diagnóstico precoce pode curar mais de 90% dos casos de câncer de intestino
Muitas pessoas ignoram os primeiros sintomas ou demoram para procurar atendimento médico
Embora o diagnóstico precoce do câncer de intestino possa garantir chances de cura superiores a 90%, o desconhecimento e a negligência em relação aos primeiros sintomas continuam sendo grandes obstáculos para a saúde pública.
Uma pesquisa inédita realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revelou que a população ainda ignora sinais de alerta e desconhece exames capazes de detectar a doença antes mesmo de manifestações clínicas.
De acordo com o levantamento, 67% dos entrevistados sabem que a presença de sangue nas fezes pode indicar câncer colorretal e 80% consideram o sinal grave, mas a prática diverge da teoria: entre os 9% que relataram já ter percebido sangramento, quase metade não procurou atendimento médico.
Essa demora em associar os sintomas à gravidade da doença reflete-se em relatos reais. Durante seu tratamento, a cantora Preta Gil contou que passou cerca de seis meses sofrendo com prisão de ventre intensa, além de alterações nas fezes — como presença de sangue, muco e mudança no formato —, sem imaginar que poderiam ser sinais de um tumor.
Suspeito de estupro é preso escondido em caixa-d'água
Polícia desarticula organização criminosa especializada em roubo de cargas de medicamentos
Troca de bebês em Arapiraca: audiência é remarcada para setembro
Casos de dengue aumentam em Alagoas
Reapresentação do CSA - 21/07/2026
O administrador Paulo viveu uma situação semelhante ao notar episódios de sangramento e acreditar que o problema estivesse relacionado apenas a hemorroidas ou à alimentação. Especialistas alertam que esse é um erro bastante comum, e o médico Drauzio Varella reforça que nem tudo o que sangra pelo reto deve ser atribuído a hemorroidas.
O cenário ganha contornos ainda mais preocupantes com a mudança no perfil epidemiológico da doença. Embora o câncer colorretal fosse historicamente mais frequente após os 50 anos, estudos apontam um crescimento entre adultos mais jovens.
Dados do A.C.Camargo mostram que, no estado de São Paulo, os casos em pessoas com menos de 50 anos cresceram quase 3% ao ano entre 2000 e 2023. A comunidade médica ainda não tem uma explicação definitiva para o avanço da enfermidade nessa faixa etária, mas aponta hábitos do estilo de vida moderno, como sedentarismo e alimentação inadequada, como as hipóteses mais prováveis.
Diante disso, a recomendação médica é categórica: nenhuma alteração intestinal deve ser negligenciada, uma vez que a identificação do câncer na fase inicial, antes do surgimento de sintomas, eleva as chances de cura para além dos 90%. Uma das principais ferramentas para esse fim é o teste imunológico fecal (FIT), que detecta sangue oculto nas fezes invisível a olho nu, embora dois terços dos brasileiros ainda desconheçam a existência do procedimento.
A expectativa de especialistas é que essa realidade comece a mudar com a implementação de um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal, que prevê a oferta do FIT pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a população de 50 a 75 anos. Com uma sensibilidade superior a 95% como exame de triagem, o teste funciona como uma porta de entrada essencial: caso o resultado seja positivo, o paciente é encaminhado para a colonoscopia, exame que confirma o diagnóstico e permite a retirada preventiva de pólipos antes que eles se transformem em tumores.