INVESTIGAÇÃO
PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por elo com PCC
Diligências cumpriram 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão
A Polícia Federal prendeu na manhã dessa sexta-feira (3) a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que trabalhava para o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ambos alvos de sanções do governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A prisão se deu no âmbito de uma operação deflagrada contra suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Shimada também é alvo da operação, mas até aqui é considerado foragido.
O advogado que defende o empresário declarou à Folha que deverá se pronunciar mais tarde. A reportagem tenta localizar a defesa de Stella.
Batizada de Operação Exchange, as diligências incluem o cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Todos foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo e miram endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e em Santana de Parnaíba.
A Polícia Federal tinha desde o dia 2 de junho a decisão que autorizou a operação desta sexta, mas ainda apurava dados sobre a localização de investigados. As diligências, contudo, foram antecipadas depois do anúncio das sanções por parte dos EUA.
A antecipação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pelo chefe da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção), Dennis Cali, em café da manhã com jornalistas na manhã desta sexta, logo após a operação.
Andrei também criticou a decisão do governo americano de classificar as facções como terroristas, o que declarou ser um "erro grosseiro".
Além das prisões, a Justiça também decretou também o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o valor de R$ 10,4 bilhões.
Segundo a PF, os suspeitos mantinham um sistema estruturado para a movimentação de recursos e operavam por meio de transferências ilícitas de criptoativos e outros meios, como a movimentação de recursos em espécie.
Ainda de acordo com a corporação, a investigação aponta para operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras. A análise preliminar permitiu identificar movimentações suspeitas superiores a R$ 10 bilhões.
O caso ainda está em andamento e os investigados podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos eventualmente identificados no curso da apuração.
Shimada e Stella foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos na quarta (1º) sob o argumento de que eles integram um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
O empresário é um dos réus no processo que analisa supostas irregularidades no contrato de patrocínio do Corinthians com a casa de apostas VaideBet e também já foi condenado a cinco anos de prisão, em regime inicial semiaberto, num caso que envolve o desvio de R$ 35 milhões do banco Votorantim.
Segundo as investigações, os desvios se deram a partir de uma fraude eletrônica no sistema da instituição financeira e ocorreram por meio de 2.799 transferências via Pix. O dinheiro foi repassado a uma conta em nome da sua empresa.
Segundo um promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, Shimada é considerado um prestador de serviço de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas do PCC, mas não um integrante da hierarquia da facção.
Ele destacou o alto volume de dinheiro que passou pelas contas bancárias dele, sob suspeita de que não tenham comprovação de origem.