INVESTIGAÇÃO
Pastor Márcio Poncio é preso em ação da PF sobre comércio ilegal de cigarros
Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro praticadas pela cúpula do novo jogo do bicho
Uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o pastor Márcio Poncio.
O pastor foi preso em um hotel na Barra da Tijuca. Bacellar deverá ser transferido do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para um presídio federal.
Márcio Poncio é pastor, empresário do ramo do tabaco e fundador da Igreja da Nuvem. Pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ganhou notoriedade tanto pela atuação religiosa quanto pelos negócios no setor de cigarros, o que lhe rendeu o apelido de "pastor do cigarro".
Ele é investigado por possíveis ligações com a chamada "Máfia do Cigarro", coordenada por Adilsinho, segundo a polícia.
A ação é uma nova fase da operação Unha e Carne, que já investigou suspeitas de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho. Na nova operação, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro praticadas pela cúpula do novo jogo do bicho e eventual ramificação do esquema em integrantes do Executivo e Legislativo do Rio.
Bacellar e Adilsinho já estavam presos, mas foram alvos de novos mandados. Poncio foi preso durante a manhã na Barra da Tijuca, zona oeste carioca. Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Um dos alvos de busca e apreensão foi o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Sua advogada, Patrícia Proetti, afirmou que ele "recebeu, na manhã dessa quinta-feira, um mandado de busca e apreensão, cujo cumprimento ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades".
"Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita. Marco Antônio reafirma seu respeito às instituições e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários", acrescentou.
O advogado Ricardo Braga, que representa Adilsinho, "rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos". A defesa diz confiar "no Poder Judiciário e no devido processo legal".
A defesa de Bacellar disse que o ex-deputado nega ter "atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes".
"Reitera-se que, conforme extensa documentação acostada aos autos próprios, está cabalmente demonstrado que Rodrigo Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados, sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado", afirma a nota da defesa do ex-deputado.
A reportagem também procurou o advogado Leonardo Mendonça, que representa Poncio, mas ele não se pronunciou.