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QUALIDADE DE VIDA

Brasil tem IDH considerado ‘muito alto’ pela primeira vez

O crescimento, no entanto, não foi suficiente para aplacar as desigualdades do país

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Há uma disparidade também quando se trata de gênero
Há uma disparidade também quando se trata de gênero | Foto: — Divulgação

O Brasil entrou na categoria de países com índice de desenvolvimento humano “muito alto” pela primeira vez na história, mas a desigualdade persiste entre a população. O patamar foi alcançado em 2024, de acordo com o relatório Radar IDHM, divulgado pelo PNUD Brasil, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, nessa terça-feira (26).

O presidente Lula comemorou nas redes sociais e afirmou que o resultado “não é coincidência, mas reflexo de escolhas políticas consistentes e coordenadas”. Acrescentou ainda que há “um longo caminho pela frente, com desigualdades regionais, de gênero e de raça que precisam ser superadas. O resultado já alcançado mostra que estamos no caminho certo”.

O relatório das Nações Unidas afirmou que o “Brasil da segunda década do século XXI, definitivamente, não é o Brasil de 30 anos atrás”. O índice brasileiro saltou de 0,744 pontos em 2012 para 0,805 em 2024. Três décadas atrás, o país estava no nível de desenvolvimento humano “baixo”: 0,555. O índice vai de 0 a 1; quanto mais perto de 1, melhor.

O avanço veio de uma “trajetória de políticas públicas coordenadas que elevaram a expectativa de vida ao nascer, ampliaram o acesso à educação e expandiram a renda per capita”, diz o PNUD.

DESIGUALDADES

O IDHM é composto por três dimensões: Longevidade, Educação e Renda. E todos apresentaram melhora. Só que ao fazer recortes na população a desigualdade aparece.

A evolução da população negra foi em um ritmo maior, mas o índice geral desse grupo ainda é 10% menor que o dos brancos.

Entre homens e mulheres essa diferença é menor, mas ainda existe. Tanto que os homens estão no patamar de “muito alto” em desenvolvimento humano, um nível acima do das mulheres.

Entre as regiões do país, Centro-Oeste, Sudeste e Sul têm IDHM “Muito alto”, enquanto Norte e Nordeste estão no nível “alto”. O Distrito Federal lidera entre as unidades federativas, seguido por São Paulo, Santa Catarina e Paraná.

RAÇA

Mesmo que, nos últimos anos, a evolução do índice de desenvolvimento para a população negra tenha acontecido em um ritmo maior que o da população branca — 10,3% conta 5,5% —, não foi o suficiente para acabar com as defasagens. Enquanto o IDHM dos brancos evoluiu de 0,804 em 2012, para 0,851 em 2024, o da população negra (pretos e pardos) saiu de 0,694 para 0,774 no mesmo intervalo de tempo. O fato é que em 2024, a população negra ainda tinha IDHM 10% inferior ao de brancos (0,774 contra 0,851).

No caso da população branca, em uma análise detalhada dos subíndices de 2012 para 2024, o IDHM de Renda saiu de 0,781 para 0,806, com a renda per capita crescendo de R$ 1.029,68 para R$ 1.208,58. Já a dimensão Longevidade registrou uma evolução de 0,890 para 0,913, com a expectativa de vida saindo de 78,40 anos para 79,80 anos. Por fim, na Educação, foi de 0,748 para 0,838 com a porcentagem da população adulta com ensino fundamental completo passando de 66,38% para 76,63%.

A mesma análise na população negra mostra um o IDHM Renda passando de 0,670 para 0,712 em 2024, com a renda domiciliar per capita subindo de R$ 518,57 e R$ 673,65, pouco mais da metade da população branca. No campo da Longevidade, o índice foi de 0,800 para 0,846 em 2024, fazendo com que a esperança de vida saísse de 72,78 para 75,73 anos. E o IDHM Educação subiu de 0,623 para 0,770, elevando a taxa de pessoas com 18 anos ou mais de idade com ensino fundamental completo de 53,02% para 67,33%.

Há uma disparidade também quando se trata de gênero. O IDHM das mulheres passou de 0,736 para 0,798, enquanto o recorte para os homens mostra um aumento de 0,737, em 2012, para 0,802, em 2024. Isso mostra que, enquanto os homens atingiram o patamar de muito alto desenvolvimento humano, as mulheres permaneceram no patamar de alto desenvolvimento humano.

Quando se analisa especificamente a questão da renda, é possível identificar que, em 2024, a distância entre homens e mulheres aumentou, com o rendimento médio feminino em R$ 1.260,45 e o dos homens em R$ 1.604,30. Já na questão da longevidade, em 2024 foi registrada a menor diferença entre os grupos, com a esperança de vida entre mulheres de 79,88 anos e a dos homens de 73,3 anos.

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